08 de julho de 2026
Regional

Funcionários buscam melhores salários

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

O administrador de empresas Cláudio da Silva Monchelato, 36 anos, trabalha na Duratex. Está formado desde 2007 e busca na pós-graduação, gestão de projetos, ficar melhor posicionado no mercado de trabalho. Para o futuro, planeja conquistar melhores salários dentro da empresa.

"Fui procurar a qualificação por vontade própria. A empresa tem um programa de bolsa, mas eu não consegui entrar nele. Tenho interesse em fazer novos contatos, pensar diferente e ter novas possibilidades para melhorar o currículo."

Ele explica que na prática poderia desenvolver projetos que melhorassem produtos ou até mesmo o desenvolvessem novos. "Se houver alguma ampliação na empresa, eu terei qualificação para fazer uma gestão completa de um projeto."

Na verdade, de acordo com ele, os novos conhecimentos ainda não estão ajudando. "Eu estou no início, no 5º módulo, são 18 meses com 13 módulos de mais ou menos três aulas cada módulo. Eu só fiz quatro módulos, três meses."

A técnica administrativa Melina Ottoboni, colaboradora da Thermic, observou na bolsa-estudo uma maneira de se sentir motivada a buscar aperfeiçoamento na área na qual atua. "Devido a esse programa, hoje curso pós-graduação em engenharia de produção na FAAG. De modo geral, essa extensão é fundamental para minha evolução pessoal e profissional. Eu e a empresa ganhamos", acrescenta.

O Programa de Aperfeiçoamento Profissional da Thermic subsidia 50% do valor do curso para o colaborador, porém é preciso estar na Empresa há, pelo menos, um ano e meio.

A própria mantenedora da FAAG, Márcia Vazzoler cursou MBA em gestão empresarial para assumir o cargo e melhor desempenhá-lo. "Eu sou socióloga, tenho mestrado em sociologia e doutorado em engenharia de produção. Fiz o MBA em gestão empresarial. Necessitava de ferramentas que o curso oferecia. Eu acho que é o que acontece com os profissionais. Muitas vezes eles são engenheiros ou médicos e vão assumir cargos mais elevados na empresa."

Os funcionários de bancos e instituições financeiras também estão procurando o curso de gestão em projetos para organizar o atendimento. "A organização do atendimento é uma busca constante. É uma atividade que exige atenção da agência para não perder clientes. Todo o processo é estudado e o projeto desenvolvido com começo, meio e fim."

 

Empresas oferecem benefício para manter o funcionário

Houve um tempo que as empresas não se preocupavam em manter um funcionário, havia mais demanda do que procura. Atualmente, encontrar um colaborador com as qualificações necessárias para o cargo é como buscar uma agulha no palheiro. Por isso, as empresas oferecem benefícios para ‘gerar’ em seu quadro de funcionários aquele que vai se encaixar nas suas necessidades.

Para a mantenedora da FAAG, Márcia Vazzoler, o pensamento atual dos administradores contemporâneos é de qualificar um de seus profissionais para gerenciar seus projetos. "Ele tem que enxugar custos e ter o melhor produto para oferecer aos seus clientes."

Segundo ela, mesmo com todos os benefícios é difícil manter o colaborador qualificado. "É a concorrência. Não há como obrigar o funcionário ficar na empresa. O que acontece muitas vezes é que com a qualificação ele acaba encontrando outras oportunidades no mercado de trabalho e vai embora. Muitas empresas estão custeando os estudos de seus colaboradores."

 

Curso em São Paulo

Uma parceria entre a FAAG e a TAM vai levar a faculdade de Agudos para a Capital, frisa a mantenedora, Márcia Vazzoler. "São duas turmas, marketing e logística em MBA. Nossos professores, vão para lá. As aulas terão início em fevereiro."

A faculdade vai oferecer ainda curso em Libras para os colaboradores. "Existe uma legislação que exige um número X de funcionários qualificados em libras. Vamos qualificar os atendentes de balcão e tripulantes. São exigências da legislação brasileira e de mercado."

Os alunos novos de pós-graduação vão receber um tablet. "Porque todo o conteúdo que o professor oferece em sala de aula e o complementar fica disponível na plataforma, no site da FAAG, para que ele possa acompanhar as aulas mais facilmente e com mais qualidade."

 

Publico alvo

Os interessados em cursos de pós-graduação e MBAs são profissionais de instituições de ensino, prefeituras e voltados a educação especial. Têm de 35 a 50 anos. Na educação especial a maioria é do sexo feminino, enquanto que nos cursos de MBAs, o público é mesclado, cerca de 60% homens e 40%, mulheres.

Os alunos que chegam pelas mãos das empresas ocupam cargos de gerência, consultoria ou pessoal técnico que vão assumir cargos de liderança. "Hoje não se busca o gerente pronto no mercado. Ele faz uma escala evolutiva dentro da empresa se ele tem característica de liderança", explica Vazzoler.

 

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Indústria de Pederneiras cria programa para ter o aperfeiçoamento profissional

Aprimorar o conhecimento profissional e estar cada vez mais preparado a enfrentar os desafios do dia a dia é fundamental, principalmente para quem busca crescer dentro de uma empresa. Por outro lado, o empregador também ganha em qualidade e com a satisfação do cliente. Observando essa necessidade, a Thermic criou, em setembro de 2010, o Programa de Aperfeiçoamento Profissional, uma espécie de bolsa-estudo, que tem por objetivo incentivar seus colaboradores a voltar a estudar ou a se especializarem no setor onde atuam. Os resultados já começaram a aparecer.

"O saldo desse programa tem sido muito positivo. Hoje, temos profissionais mais capacitados e com maior nível de informação técnica em sua área. Para a Thermic, além do incentivo à educação, é a oportunidade de aproveitar o conhecimento adquirido e de melhorar a qualidade dos seus produtos", ressalta Edemilson Martins, responsável pela área de Desenvolvimento Humano da Empresa.

Desde a criação, o Programa de Aperfeiçoamento Profissional já atendeu 33 colaboradores em cursos técnicos e de pós-graduação. Para solicitar o auxílio, o interessado deve apresentar ao gestor da área o conteúdo e o valor do curso.

"O Programa me deu a oportunidade de aprimorar meu desempenho nas demandas diárias", explica José Henrique Lima de Souza, que concluiu o curso de Pacote de Desenho Técnico Mecânico. "Há muito tempo eu queria fazer esse curso, porém o custo era elevado. Essa bolsa me deu condições para fazê-lo", acrescenta Souza.

 

Rotatividade baixou de 4 para 1,1%

O incentivo à educação somado a outras ações contribui para a permanência do funcionário na empresa, explica o gerente de recursos humanos da Unimed Bauru, Ernani Roberto Lino.

"Tenho absoluta certeza de que os funcionários permanecem mais tempo na empresa. Os indicadores demonstram isso. Nos últimos três anos, incrementamos e incentivamos a participação dos funcionários. Aumentamos a disponibilidade de verba. Só para ter uma ideia, a rotatividade de funcionários caiu de 4 para 1,1 , 1,2%."

Ele admite que não foi só esse fator que influenciou na decisão dos colaboradores. "Claro que não foi só a concessão do benefício e incentivo a educação, mas contribuiu. Há outras ações estratégicas em termos de gestão que a empresa adotou que faz com que o colaborador se sinta valorizado."

Lino ressalta que o colaborar percebe que a empresa está investindo na carreira dele. "Se sente prestigiado e evidentemente que quando ele traz esse conhecimento para dentro da empresa tem ganho grande em relação a isso. São portas que vão se abrindo, possíveis promoções. Essas pessoas são as primeiras que são observadas. Percebemos que elas estão se dedicando, estão aplicando tudo seus conhecimentos."