Cientistas da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, desvendaram uma nova forma de inibir a infecção do vírus da hepatite C (HCV) no fígado. A descoberta, publicada na revista cientítifca PLoS Pathogens, traz esperanças para novas terapias às pessoas diagnosticadas com a patologia.
Segundo Jean François, professor do Departamento de Microbiologia e Imunologia da Universidade, "quando o HCV infecta uma pessoa, ele precisa de gotículas de gordura no fígado para formar novas partículas virais". E acrescenta: "O processo faz com que a gordura se acumule no fígado, levando a uma disfunção crônica do órgão".
Ainda de acordo com o professor, o vírus da hepatite C está em transformação constante, tornando complicado o desenvolvimento de terapias antivirais que tenham como alvo o próprio vírus. Assim, Jean e sua equipe optaram por uma nova abordagem e desenvolveram um inibidor que restringe o tamanho das gotículas de gordura nas células hepáticas, fazendo com que os vírus não desenvolvam resistência e deixem de se multiplicar e de infectar outras células.
"Nossa abordagem consiste em bloquear o ciclo de vida do vírus, de modo que ele deixe de se espalhar e de causar mais danos ao fígado", esclarece o especialista, que diz ainda que o vírus da hepatite C é um dos vários tipos que precisam de gordura para replicar no organismo humano.
Assim, a descoberta pode reduzir a replicação do vírus, podendo se traduzir em novas terapias que podem ser usadas em doenças como a dengue, por exemplo.
A hepatite C é uma doença viral do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV). Devido à inexistência de vacina, a doença requer cuidados e suas consequências mais graves podem se refletir num quadro de cirrose hepática.
Por conta dos testes para detecção de HCV (antiHCV) incorporados nos Hemocentros de todo o País, por volta de década de 1990, o número de contaminação via transfusão sanguínea caiu abruptamente. No entanto, a transmissão pode ainda acontecer por meio da troca de agulhas infectadas, piercings e tatuagens em estabelecimentos que não esterilizam todos os materiais.
As pessoas mais propensas a desenvolver a doença são pacientes em tratamento de hemodiálise ou com outras doenças como HIV positivo e outros casos de hepatites. Profissionais da área da saúde que lidam diretamente com o sangue de pacientes e materiais contaminados como nos casos dos usuários de drogas de aplicação endovenosas também estão suscetíveis a adquirir o vírus.