07 de julho de 2026
Ser

Com o mapa nas mãos

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Eles andam, ou correm, 20 quilômetros por dia, 4 mil por ano. Tudo isso carregando um peso médio de 20 quilos. Se o leitor imagina tratar-se de um atleta, engana-se. Esta é a rotina de um carteiro, que comemora seu dia na próxima quarta-feira. Trata-se de um profissional ainda tão importante e indispensável nos dias de hoje quanto os milhares de bites que trafegam e-mails pelo espaço virtual.

Faça chuva, faça sol, ele entrega cartas, mensagens e encomendas. Não sem antes ordená-las rigorosamente, cumprindo assim um itinerário preestabelecido. Também devolve ao remetente o que não pode ser entregue ou providencia o seu encaminhamento para o destino certo.

Eis aí a explicação para as estatísticas do início do texto. Percorrendo cerca de 4 mil quilômetros durante o ano - o mesmo que ir e voltar a pé de Bauru a São Paulo seis vezes -, os carteiros levam, em média, 20 quilos de correspondências todos os dias às casas e estabelecimentos comerciais, em todas as regiões da cidade, o equivalente a ter carregado quatro carros populares ao fim de um ano.

O dia a dia pelas ruas da cidade faz do carteiro um "quase" morador de cada região onde atua. Conhece a realidade, os problemas e desejos das comunidades. É o caso de Jorge da Silva, bauruense com quase 20 anos de profissão, que já garantem um pitoresco repertório de histórias. "Percorrendo os bairros todos os dias, vamos acompanhando namoros, brigas entre vizinhos, os problemas que cada bairro enfrenta, inclusive situações de assaltos".

Silva, e certamente outros companheiros de profissão, também conhece onde mora o perigo. "Sabemos bem onde estão os cachorros que correm atrás para morder", diz. Por sinal, o ataque de cães aos carteiros é responsável por quase 50% dos pedidos de afastamento do serviço, segundo dados do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Bauru e Região (Sindecteb).


Ontem e hoje

Presença marcante na história do Brasil, a profissão de carteiro já teve outros nomes ? estafeta, carregador de mala postal, inspetor de serviço postal - mas o trabalho sempre foi semelhante: entregar correspondências e encomendas.

Remete-se ao ano de 1673 a criação do primeiro serviço organizado, mas pouco eficiente, no Brasil com "Correio-mor das cartas do mar", para comunicação entre a então colônia e Lisboa.

Passados mais de 100 anos, em 1798, a primeira agência postal foi criada na cidade de Campos, no Rio de Janeiro. E o serviço de caixas postais foi instituído em 1801. Sem data exata, a profissão que existe há mais de 3.000 anos é comemorada no dia 25 de janeiro em homenagem ao nascimento de São Tomás de Aquino, padroeiro dos carteiros.


Gente nossa

Em Bauru, o quadro de carteiros é composto por 347 funcionários, número insuficiente para atender a demanda. São 415 bairros para serem atendidos todos os dias. "Mesmo com o sucateamento que os Correios têm passado nas últimas duas décadas, com baixo índice de contratações e grande número de aposentadorias, os carteiros continuam com sua função de entregar correspondências e fazer com que o País não pare", destaca o presidente do Sindecteb, José Aparecido Gimenes Gandara.

Segundo ele, a empresa está com quadro de funcionários abaixo do necessário, o que sobrecarrega os trabalhadores. Mesmo assim, os que estão na ativa se desdobram para que o serviço saia da melhor forma. "Além do aumento no número de contratados, há a necessidade de melhorar a remuneração e a segurança de quem já trabalha", afirma Gandara.