O "nóia", como é chamado o usuário do crack, é a expressão mais acabada e desafiadora do processo de exclusão social, uma vítima indefesa e abandonada. É desligado da família, não tem inserção no mercado de trabalho, sofre graves problemas de saúde, é evadido da escola e tem dificuldades com a Justiça. Diante desse quadro de adversidades, uma vez recuperado do vício não tem para onde ir. Fugitivo da família, é um marginal.
A psicóloga Luciane Raupp, doutora em saúde pública, afirma que a "dependência química existe desde o final da década de 1980 e quase nenhuma ação foi tomada". O sr. Bruno Ramos Gomes trabalha com usuários de crack na capital paulista desde 2003 e lembra que "São Paulo é uma das cidades mais antigas no uso do crack, nossa cracolândia é ?original? se comparada às outras que vêm surgindo. Na verdade, São Paulo deveria estar pensando em estratégias e políticas públicas para replicar no resto do país, e não é o que vem acontecendo".
Neste momento, muitos programas oficiais e iniciativas particulares vêm sendo desenvolvidos para tratar dos dependentes químicos visando retirá-los das ruas das grandes cidades. Bauru, não sendo uma ilha, sofre com esse problema, que é enfrentado de forma integrada.
Por isso merece reconhecimento e apoio o trabalho realizado pela Polícia Militar, Ministério Público, Prefeitura Municipal, Imprensa, entidades de classe, profissionais voluntários, especialistas, todos empenhados no combate ao vício devastador que detona grande contingente da nossa juventude.
Dar atenção ao usuário da droga é etapa importante desta tarefa, sendo este o primeiro passo da longa jornada para desbancar a cadeia da droga que envolve o traficante e o produtor estes que, de fato, lucram com o mercado, a um só tempo, rendoso e diabólico.
A primeira etapa do longo processo está em marcha e deverá envolver toda a sociedade para salvar a juventude sobre a qual se abate verdadeira crise existencial com a consequente perda dos valores responsáveis pela construção de uma sociedade que queremos "economicamente justa, socialmente fraterna, culturalmente plural e politicamente democrática". Neste novo mundo possível de ser construído, não haverá mais "nóias"...
Isaias Daibem