Adeus a Fernando Peixoto!
Surpreendi-me ao ao abrir meus emails, na terça-feira (17/01), e ler essa desagradável msg. Quando assisti a "Ponto de partida", um texto teatral de autoria de G. Guarnieri, que metaforicamente abordava as condições sombrias em que o jornalista Wladimir Werzog morreu e com a primorosa performance de Othon Bastos, mais Sergio Ricardo, o próprio G. Guarnieri no elenco e dirigidos por esse gaúcho Fernando Peixoto, que, a convite de Zé Celso M. Correa, deixou Porto Alegre e migrou para São Paulo, juntamente com Itala Nandi, com quem foi casado. Assim comecei admirá-lo!
Numa das edições do Mapa Cultural Paulista, durante a fase regional que representamos Bauru com a peça "Madre Clélia, 100 Anos de Amor", realizada na cidade de Barra Bonita, Fernando Peixoto era um dos jurados, tinha eu um exemplar da peça "Ay, Carmela", traduzida por ele, e solicitei que fizesse uma dedicatória, e gentilmente assim o fêz! A sua linha brechtiniana o contrapunha com os rompantes dionisíacos de Zé Celso, o que o diferenciava pelas pesquisas, estudos e sua atenção ao teatro latino-americano, enquanto atuou no grupo oficina. Poucas palavras, atencioso, polido no trato com atores que dirigia, dessa maneira peculiar conduziu sua carreira, sereno e mestre consciente de sua missão: o amor ao teatro, às artes cênicas!
Adeus, Fernando Peixoto, foram curtos nossos diálogos, breves, mas carregados de emoção, respeito e admiração! Grato pela sua obra!
Zé Francisco Camilo