São Paulo - A Força Sindical lamentou a queda de 23,5% em 2011 na criação de empregos no país. “Tal situação não é obra do acaso e sim o resultado concreto da orientação econômica conservadora que tem marcado a atuação do governo, calcada em elevadas taxas de juros, na valorização do Real e numa política fiscal restritiva que penaliza o setor produtivo nacional, incentiva as importações e gera a desindustrialização do país”, diz nota da central.
Segundo ela, a projeção do FMI (Fundo Monetário Internacional) de crescimento de apenas 3% em 2011, ficando abaixo da média mundial, é um “verdadeiro balde de água fria”.
“Isto é um sério problema, visto que a cada ano entram no mercado de trabalho milhões de jovens, gerando mais demanda que não poderá ser absorvida pelo mercado. Vale lembrar que o desemprego é multiplicador de injustiça social, da desagregação familiar, da violência e da fome no país.”
A Força Sindical destaca ainda que o crescimento “pífio” coloca a economia num patamar “extremamente perigoso”, diante das incertezas econômicas mundiais.
“O Brasil precisa tomar medidas para não importar essa crise. Nossa meta é fortalecer a luta por mais empregos e produção. Queremos juros baixos, valorização do trabalho e desenvolvimento nacional. Um país como o nosso, com urgente necessidade de crescer e se desenvolver, não pode se dar ao luxo de transferir enormes volumes de capital sob a forma de renda improdutiva.”
A nota é assinada pelo deputado Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical e filiado ao PDT, mesmo partido do ex-ministro Carlos Lupi (Trabalho), que deixou o governo no dia 4 de dezembro, após uma série de acusações.
Caged
O Brasil registrou a criação de 1.944.560 vagas com carteira assinada em 2011. O número representa um ritmo menor na criação de emprego no país e é 23,5% menor que o registrado em 2010, quando foram geradas 2.543.177 empregos formais (segundo dado revisado).
Apesar do recuo, o resultado no ano ainda é o segundo melhor da série histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), menor apenas que o de 2010. A série contém informações ajustadas, ou seja, acrescidas de declarações fora do prazo, até novembro de 2011.
Os dados do Caged foram divulgados pelo Ministério do Trabalho na última terça-feira.