Botucatu – A Prefeitura de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp) assinarão amanhã, às 17h, termo de cooperação técnica visando à elaboração de projeto que irá definir procedimentos necessários para o início das atividades no prédio do antigo Hospital Regional Sorocabana. Durante a cerimônia, também será anunciada a abertura de licitação para reforma do imóvel, orçada em R$ 1,3 milhão. No local, irá funcionar um Pronto-Socorro (PS) Infantil. A previsão é de que a unidade inicie suas atividades ainda neste semestre.
O secretário municipal de Saúde, Antônio Luiz Caldas Junior, explica que a forma de gestão do PS Infantil será definida a partir desse projeto, desenvolvido por meio de parceria entre o município e Famesp. "Para o hospital voltar a funcionar, nós teríamos que desenvolver um projeto de operacionalização do hospital, dimensionamento de demanda, dimensionamento de recursos humanos e recursos materiais, enfim, fazer um processo profissional de administração", explica. "E esse vai ser o foco principal desse termo de cooperação neste momento".
A escolha da Famesp para auxiliar nesse processo de retomada das atividades no antigo Hospital Sorocabana deu-se, segundo Caldas Junior, pela experiência que a Fundação tem na gestão de diversos serviços de saúde na região. Ele revela que um futuro gerenciamento do PS pela entidade não está descartado. "A definição de quem vai fazer a gestão propriamente dita do hospital ainda não está definida, vai ficar para um segundo momento", diz. "A Famesp assumir a gestão demanda algumas decisões do Conselho de Curadores".
Paralelamente ao desenvolvimento do projeto para operacionalização do hospital, a prefeitura irá abrir licitação para iniciar a reforma no antigo PS e na Casa de Força. A obra está orçada em R$ 1,3 milhão (cerca de R$ 400 mil na Casa de Força e R$ 900 mil no PS), com previsão de conclusão ainda neste semestre. "O hospital tinha uma rede elétrica quase que doméstica, que foi dimensionada para uma época em que não existiam tantos equipamentos", explica.
Ainda de acordo com o secretário, o projeto também poderá apontar a necessidade de reformas nas enfermarias e no Centro Cirúrgico do prédio. "Ainda não há um dimensionamento completo e acabado do atendimento clínico, cirúrgico e pediátrico no hospital, ainda há um processo de discussões internas próprias da Faculdade de Medicina. A depender dessas definições, outras adaptações poderão ser feitas, mas de porte menor", afirma.
Entenda o caso
O Hospital Regional Sorocabana, construído nos anos 50 e inaugurado no início dos anos 60, fechou as portas no primeiro semestre no ano passado em razão da grave crise financeira enfrentada pela Associação Beneficente dos Hospitais Sorocabana (ABHS), responsável pela gestão da unidade. O local, além de Pronto-Atendimento, contava com serviços clínicos e cirúrgicos de baixa e média complexidade.
Com a suspensão das atividades, os atendimentos de média complexidade para pessoas acima de 15 anos passaram a ser feitos no PS Adulto "Dr. Virgínio José Lunardi", na vila Assumpção. O atendimento pediátrico, inclusive de emergência, passou a ser centralizado na Hospital das Clínicas da Unesp, no distrito de Rubião Júnior.
Em agosto, após o prefeito João Cury (PSDB) declarar o imóvel do antigo hospital como sendo de utilidade pública, a Justiça concedeu liminar possibilitando a imissão de posse do prédio, situado na Vila dos Lavradores, à Prefeitura de Botucatu
O município depositou R$ 1,1 milhão na conta da ação judicial movida pelos funcionários da ABHS que foram demitidos, a fim de garantir o recebimento das verbas rescisórias.
Na ocasião, o Executivo informou que a unidade iria funcionar por meio de gestão compartilhada entre Prefeitura e Governo do Estado, por meio da autarquia do Hospital das Clínicas de Botucatu e interveniência da Famesp na gestão de pessoal.