08 de julho de 2026
Geral

Emprego em serviços bate recorde

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos segmentos mais fortes da economia bauruense, o setor de serviços registrou recorde na geração de empregos com carteira assinada em 2011. De janeiro a dezembro, foram criados 6.398 novos postos de trabalho na cidade, o maior saldo dos últimos 12 anos, desde que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho foi criado.

O resultado representou um crescimento de 55% no nível de emprego em relação a 2010, quando foram ofertadas 4.114 novas vagas, o segundo melhor desempenho do setor na série histórica. Entre as empresas que ajudaram a impulsionar os números estão escritórios contábeis e de consultoria, as que atuam nas áreas de saúde e educação e, principalmente, as recuperadoras de crédito.

"Mesmo diante de um cenário de crise, elas têm garantido a absorção de mão de obra. Bauru possui três grandes recuperadoras de crédito que, a olhos vistos, se transformaram em grandes contratadoras", aponta o economista Reinaldo Cafeo.

Somente o Grupo Nelson Paschoalotto, por exemplo, contratou 1,2 mil novos funcionários no ano passado para ocupar cargos no setor de cobranças. Na avaliação da gestora de recursos humanos da empresa, Juliana Dorigo, a demanda foi criada pelo aumento no consumo resultante da estabilidade econômica e da facilidade de acesso ao crédito. "À medida em que mais pessoas contraem dívidas, proporcionalmente aumentam as chances de haver devedores que não conseguem honrar seus compromissos", analisa.

É também o bom momento vivido pela economia em anos anteriores que continua a impulsionar os demais negócios no ramo de serviços, como estabelecimentos de educação, saúde e estética. Uma das explicações para este desempenho é que o segmento possui uma espécie de blindagem contra a crise internacional, que ainda provoca reflexos nos demais setores da economia, conforme argumenta Cafeo.

"Nestas empresas, o quadro de funcionários não é afetado diretamente em situações de crise, ao contrário do que ocorre com a indústria, que é a primeira a demitir. São serviços que não deixam de ser demandados pela população", pondera.


"Armadura"

Foi esta "armadura" que permitiu que o nível de contratação nas prestadoras de serviços se mantivesse positivo ao longo de todo o ano de 2011. Já o comércio, que continua sendo um dos carros chefe da economia bauruense, extinguiu vagas em seis dos 12 meses do ano passado, esboçando alguma recuperação em novembro, época de contratação de funcionários temporários para as vendas de fim de ano.

A construção civil apresentou resultados negativos de março a agosto e a indústria, nos meses de maio, novembro e dezembro, com variações positivas pouco convincentes no restante do período. A agropecuária, por sua vez, reduziu postos de trabalho de junho a setembro, além de novembro e dezembro de 2011.

"Houve uma acomodação das contratações na construção civil a partir do segundo semestre, depois de resultados excelentes em anos anteriores. A indústria local manteve o nível de emprego, mas também foi prejudicada pela crise internacional no final do ano", pontua.

Com este desempenho minguado, no cômputo geral o volume de novos postos de trabalho criados em Bauru caiu de 12.939 em 2010, para 6.973 no ano passado, um saldo 46% menor. A boa performance isolada do ramo de serviços é justificável, segundo Cafeo, porque trata-se de um segmento que pouco contribuiu para movimentar a economia como um todo.

"Ele não tem capacidade para acionar toda a cadeia produtiva, diferentemente da indústria, por exemplo. Por este motivo, o alcance na geração de riquezas é menor. Além disso, os salários médios também são inferiores", pondera.

Em contrapartida, a economia pulverizada de Bauru faz com que a cidade não sofra grandes perdas em períodos de crise. "E, neste sentido, as empresas prestadoras de serviço ajudam a cidade a operar em um ponto de equilíbrio em termos de emprego", conclui.


Brasil é igual. E diferente

No Brasil, o setor de serviços também foi o campeão na ampliação do mercado de trabalho no ano passado. Entretanto, ao contrário de Bauru, o volume de novas vagas abertas retraiu 9% em relação a 2010. Em 2011, foram gerados 925,537 mil postos de trabalho, ante 1,018 milhão no ano anterior.

No saldo geral, a criação de empregos com carteira assinada em 2011 caiu 23% em relação a 2010. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho, foram abertas 1,94 milhão de vagas no ano passado, ante 2,54 milhões de novos empregos registrados em 2010.

Apenas em dezembro, 408,1 mil postos de trabalho foram fechados. O número é ligeiramente superior que o registrado em dezembro de 2010, quando 407,5 mil empregos foram extintos.


Projeção e preservação

Segundo o economista Reinaldo Cafeo, o primeiro semestre de 2012 será de poucas contratações no setor industrial, com perspectiva de alguma recuperação apenas a partir do meio do ano. Já a construção civil, prejudicada pelo retardamento do repasse de recursos dos programas habitacionais do governo federal, não deverá ter desempenho melhor do que o apresentado no ano passado. Mesmo assim, mais uma vez em função do setor de serviços, o nível de emprego na cidade irá se manter em patamares positivos.