Giglio - O chefe da Promotoria da Toscana, Beniamino Deidda, disse ontem que o inquérito sobre o naufrágio do navio de luxo Costa Concordia será focado agora nos principais executivos da empresa Costa Cruzeiros, dona do navio.
Em entrevista à imprensa italiana, Deidda citou "problemas e atos de irresponsabilidade na segurança e na organização" nas decisões tomadas pela empresa.
O Costa Concordia, que levava mais de 4.200 pessoas, afundou em 13 de janeiro, perto da ilha de Giglio, num desastre que a Costa Cruzeiros atribuiu a manobras "não autorizadas" do capitão do navio, Francesco Schettino.
Anteontem, as equipes de resgate que trabalham no navio encontraram o corpo de uma mulher na embarcação, o que elevou para 16 o total de vítimas do naufrágio. Ainda há cerca de 20 desaparecidos.
Segundo o jornal "Corriere della Sera", apesar de Deidda negar, sua mensagem parece um pedido velado ao promotor encarregado do caso, Francesco Verusio, para que investigue a empresa.
"Até agora, a atenção centrou-se na negligência de Schettino. Mas quem escolhe o capitão? As decisões tomadas pela empresa de transporte precisam ser examinadas", questionou o promotor.
Os procuradores têm se mostrado relutantes em investigar a empresa, apesar de Schettino ter dito à Justiça italiana que havia informado o chefe da unidade de crise da Costa Cruzeiros, Roberto Ferrarino, sobre a gravidade da situação imediatamente depois do acidente.
Schettino declarou ainda à Justiça que a Costa Cruzeiros encorajava os capitães a executar a manobra de aproximação da costa, conhecida por "saudação", como forma de ação publicitária.
Deidda pede que sejam esclarecidas as razões do atraso na retirada dos passageiros do navio, após ter sido confirmado que a situação estava fora de controle. Ele acredita que houve negligência da empresa e cita as imagens de um membro da tripulação pedindo que as pessoas permanecessem nas cabines, divulgadas por um passageiro.