Me surpreendi com a notícia veiculada pelo Jornal da Cultura (17/01/12) de que moradores de um bairro invadido no município de São José dos Campos estavam armados com escudos improvisados, capacetes de motociclista e pedaços de madeira. O motivo: a defesa de seus lares e a indumentária, devido a um possível confronto com a polícia do Estado de São Paulo.
No mesmo jornal, o cientista político Carlos Novaes faz um análise sóbria sobre o assunto e pondera acerca do respeito às leis vigentes em nosso país e também sobre a legitimidade da reivindicação da população.
Não tenho a pretensão de analisar a situação teoricamente e tão pouco ficar preso ao frio academicismo. Se escrevo hoje, escrevo com paixão o que talvez falte ao povo brasileiro, iludido por essa suposta democracia onde o direito que temos é escolher nas eleições entre o "pior" e o "menos pior".
Democracia, acima de tudo, é a vontade do povo ser lei e, infelizmente, não é o que temos. A área ocupada pelo bairro do Pinheirinho não é "invadida" e sim improdutiva e falida e ao governo cabe pensar como transformar isso em um benefício para a população, uma vez que até 2004, ano da invasão, nada havia na propriedade.
Espero que todos os brasileiros, inclusive os envolvidos, que usaram de força bruta para a desapropriação do bairro, tomem consciência de que também são "povo". Mais do que paixão, falta consciência, e mais do que consciência, falta amor ao povo brasileiro.
Pedro Anízio F.B da Silva - estudante do 2ª ano de psicologia da USC. anizio.xa@gmail.com