08 de julho de 2026
Nacional

Número de desaparecidos aumenta para 22

Agência Brasil
| Tempo de leitura: 3 min

Ricardo Moraes/Reuters

Bombeiros trabalham no resgate às vítimas do desabamento

A prefeitura do Rio informou que o número de desaparecidos no desabamento dos três prédios é de 22, com quatro mortos, o que elevaria para 26 o número de vítimas. O prefeito Eduardo Paes reiterou que a prioridade é a localização de pessoas que ainda possam estar vivas sob os escombros.

“O nosso foco é nas vidas humanas, para que se possa, com sorte, encontrar pessoas vivas”, disse. Ele fez questão de registrar, durante a coletiva de imprensa, o telefonema recebido da presidenta Dilma Rousseff, demonstrando solidariedade ao povo carioca.

O prefeito informou que já foram retirados 400 caminhões de entulhos, o que representa 17 mil toneladas, cerca de 25% a 30% do total. Ele declarou que cinco prédios comerciais da Rua 13 de Maio foram interditados por razões de segurança. Como existe um grande número de escritórios de advocacia na área isolada, o prefeito anunciou que vai pedir à presidência do Tribunal de Justiça (TJ) a extensão dos prazos de processos sob os cuidados escritórios localizados nos prédios que desabaram.

Paes disse que ainda é cedo para se apontar as causas dos desabamentos, mas destacou que a chance de ter havido uma explosão de gás é mínima, com a maior possibilidade para uma falha estrutural. Sobre a informação de que um dos prédios que desabaram passava por obras internas, ele disse que não existe determinação da prefeitura para que todas as obras internas tenham permissão do município e que a fiscalização disso cabe aos próprios condomínios.

Dos quarto corpos de vítimas do desabamento ocorrido na noite de quarta-feira (25) no centro do Rio de Janeiro, que foram encaminhados nesta quinta-feira (26) para o Instituto Médico-Legal (IML), na zona portuária, três já foram identificados. É Moisés Moraes da Silva que, segundo sua prima Vera Lúcia dos Santos Freitas, que reconheceu o corpo, trabalhava como catador de papéis e se encontrava na porta de um dos prédios que desabaram na Avenida 13 de Maio. A Polícia Civil ainda não confirma a identificação do terceiro corpo.

Há pouco, uma equipe da Cruz Vermelha Brasileira esteve no IML para prestar assistência aos parentes das vítimas. A organização forneceu mantimentos e colocou uma equipe à disposição das famílias para atendimento psicológico.

Segundo os agentes, duas das três vítimas foram identificadas como Celso Renato Braga Cabral, de 44 anos, e Cornélio Ribeiro Lopes, de 73. A Defesa Civil informou que mais um corpo foi encontrado por volta das 17h.


 Veterano de resgates tira vítima com vida 

Com 35 anos de idade e 16 de profissão, o coronel do Corpo de Bombeiros do Rio Luciano Sarmento não imaginava que, nos últimos dois anos, fosse trabalhar tanto no resgate de pessoas soterradas. Veterano de resgates nos deslizamentos de Angra dos Reis, do Morro do Bumba, em Niterói, em 2010, da região serrana, no ano passado, e de Sapucaia, neste ano, o trabalho do bombeiro foi solicitado mais uma vez na noite de ontem (25).

Ao ser convocado para trabalhar no desabamento de três edifícios na Avenida 13 de Maio, Sarmento e sua equipe conseguiram ser bem-sucedidos no primeiro resgate. Por volta das 22h, os bombeiros receberam a informação de que havia um sobrevivente preso dentro de um dos elevadores: o operário de uma obra que era realizada no prédio, uma das cinco vítimas resgatadas com vida.

“Ele estava no 9º andar, em uma obra, e saía do elevador. Quando percebeu que começou a cair tudo, ele voltou para dentro do elevador. O elevador despencou até o térreo. Ele saiu ileso, sem nenhum arranhão”, disse.

Às 12h30 de hoje, o coronel ainda trabalhava nos resgates, sem descansar. “A gente vem para salvar vidas. Quando você não consegue alcançar esse objetivo, é muito difícil. Mas uma vida que a gente salva, como foi o caso de ontem, já vale por toda a operação”, acrescentou.

Sarmento também contou com orgulho que estava na equipe que resgatou com vida o menino Nicolas, de 6 meses, resgatado de escombros das chuvas de janeiro de 2011 em Nova Friburgo, na região serrana do Rio.