07 de julho de 2026
Nacional

Planalto pressiona e diretor deixa cargo


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São Paulo - O diretor-geral do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Elias Fernandes, pediu demissão ontem após relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) apontar irregularidades em sua gestão.

A decisão foi tomada após conversa entre Fernandes e o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), seu padrinho político.

Segundo a reportagem apurou, a saída foi pedida pelo Planalto e acontece após Alves desafiar o Planalto a demitir o apadrinhado da legenda que comanda órgão federal de combate à seca.

Ontem cedo, Fernando Bezerra (Integração Nacional) e a ministra Gleisi Hoffman (Casa Civil) conversaram com o vice-presidente Michel Temer e avaliaram que a situação de Fernandes estava insustentável.

Temer conversou com Alves, que encaminhou a demissão junto com Fernandes. Ficou acertado que o líder do PMDB indicará o substituto no Dnocs.

O diretor-geral passa por uma crise no órgão após relatório da CGU apontar desvio de R$ 192 milhões em obras tocadas pela autarquia.

O Dnocs é vinculado à pasta da Integração Nacional, comandada pelo ministro Fernando Bezerra, do PSB, que enfrenta suspeitas de favorecimento político na distribuição de verbas do ministério.

 

Aliado

O PMDB é o principal aliado do PT na coalizão de Dilma Rousseff e foi um dos fiadores do governo em votações polêmicas de 2011, como a do Código Florestal.

Apesar da aliança, nos bastidores peemedebistas manifestam insatisfação. O partido avalia que não irá ganhar espaço na reforma ministerial e que o governo tenta enfraquecer Alves na disputa pelo comando da Câmara.

Apesar do acordo para a candidatura do peemedebista, setores do PT trabalham para que isso não aconteça.

A demissão de Fernandes já havia sido pedida à Casa Civil pelo ministro Fernando Bezerra em dezembro.

O vice-presidente Michel Temer (PMDB), porém, interferiu no dia 19 ao convocar o ministro para uma conversa em seu gabinete.

A reportagem apurou que Bezerra foi lembrado nesse encontro que foi defendido pelo PMDB ao enfrentar suspeitas de irregularidades.

Nessa conversa, o ministro foi convencido em rever sua posição e encaminhar para o Tribunal de Contas da União (TCU) o relatório da CGU, inclusive avalizando a defesa do Dnocs.

As declarações do ministro de que a faxina no Dnocs será feita, porém, surpreenderam o PMDB.