10 de julho de 2026
Geral

Suspeita de estupro de deficiente era vizinha da família da vítima

Marcele Tonelli com Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

A crueldade mora praticamente ao lado. De acordo com a irmã da portadora de deficiência mental que foi vítima de roubo seguido de estupro anteontem, em Bauru, uma das suspeitas de ter participado do crime era vizinha da família. Além dela, outro homem foi preso pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Ambos seriam usuários de crack.

O caso aconteceu na tarde da última terça-feira, quando a vítima caminhava pelo Parque Santa Edwirges. Ela teria sido foi arrastada por dois homens e uma mulher para um matagal, onde foi brutalmente violentada. Na ocasião, o trio chegou a usar um cabo de vassoura para estuprar a portadora de deficiência e, em seguida, fugiu levando R$ 19,00.

Na noite de anteontem, a DDM conseguiu o mandado de prisão temporária de dois suspeitos. O casal T.S., 45 anos, e J.F.O., 50 anos (somente as iniciais foram divulgadas pela polícia), foi detido. Ambos foram conduzidos à delegacia e, depois, levados para unidades prisionais da região.

Ao se deparar com a mulher suspeita, a família teve outro choque. "A acusada era vizinha próxima da minha mãe", disse a irmã da vítima. Ela ainda revelou que, além da proximidade, a suspeita já até teve contatos com a família.

A delegada da DDM, Priscila Alferes, contou que, após várias diligências no bairro onde o estupro ocorreu, fotografou vários suspeitos e levou para a vítima, que está internada na Maternidade Santa Isabel. Ao ver as imagens, ela teria apontado o casal como sendo os autores do crime bárbaro.

De acordo com a delegada, os suspeitos negaram a autoria do crime, porém, os depoimentos colhidos na delegacia teriam apresentado uma série de contradições. "Ao serem questionados sobre os locais e horários em que estavam no momento do crime, eles foram contraditórios, os depoimentos não bateram", afirmou Priscila Alferes.

A hipótese mais provável aventada pela polícia é de que o crime tenha sido motivado justamente por dinheiro. Segundo as investigações, os suspeitos seriam viciados em drogas e estavam atrás justamente dos R$ 19,00 que foram roubados para comprar entorpecentes.

Como a vítima afirmou que havia três pessoas, a polícia ainda busca identificar e localizar mais um suspeito. "Estamos esperando ela (a vítima) melhorar para nos ajudar mais nas investigações. Por conta de sua deficiência e da violência sofrida, ela está muito frágil e estamos respeitando isso", completa a delegada.

A prisão temporária do casal expira dentro de 30 dias, porém, Priscila Alferes não descarta pedir a prorrogação do prazo ou a preventiva de ambos. "Isso veremos no decorrer das investigações e no fim do processo".


Sonda

Desde o dia em que foi encontrada e socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a mulher de 32 anos está internada na Maternidade Santa Isabel, onde passou por várias cirurgias. De acordo com a família, ela ainda tem muito sangramento e precisará passar por outros procedimentos cirúrgicos.

A irmã da vítima disse à reportagem do JC que, segundo os médicos, a violência do estupro foi tamanha que a portadora de deficiência mental precisará utilizar uma sonda após as cirurgias.

Para a família, será necessário ainda um acompanhamento psicológico para a vítima. "Além de dizer que sente muita dor, ela chora muito", conta a irmã.


Drama que se repete

De acordo com informações extraoficiais obtidas pela reportagem, a história da vítima, que já é dramática por si só pela barbaridade do crime, ganha contornos ainda mais tristes. Esta não seria a primeira vez que ela teria sofrido esse tipo de trauma.

Segundo amigos da família, no passado, a mulher, que nasceu portadora de deficiência mental, já teria sido estuprada. A informação não foi confirmada oficialmente pela Delegacia de Defesa Mulher (DDM).