08 de julho de 2026
Nacional

Reforma é principal suspeita da tragédia


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Rio - A principal hipótese levantada até o momento pela Defesa Civil estadual e por engenheiros consultados pela reportagem para explicar o desabamento súbito dos três prédios no centro do Rio é a ruptura de algum pilar de sustentação do edifício maior, de 20 andares, provavelmente causada por uma reforma interna.

Esse edifício, chamado Liberdade, teria desabado primeiro e o impacto de seus escombros fez desmoronar também os dois prédios menores.

Ao menos uma hipótese, que chegou a ser levantada na noite do desabamento, foi praticamente descartada pela prefeitura: a de que uma explosão tenha provocado o desabamento dos prédios.

Frequentadores do edifício mais alto afirmam que havia obras em andamento no 3.º e no 9.º andar, ambos sob responsabilidade da empresa Tecnologia Organizacional.

A empresa divulgou uma nota na manhã de ontem lamentando o acidente, mas não deu detalhes sobre as intervenções. Também não se manifestou sobre possíveis causas do acidente.

"Não sei se tinha obra clandestina no prédio, mas desconfiava do movimento no terceiro andar. A gente percebeu que eles mexeram nas pilastras e o andar virou um salão. Eles também armazenavam material de construção lá dentro", disse Teresa Andrade, 47 anos, sócia de uma empresa de crédito consignado, localizada no 16.º andar.

De acordo com o presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Luiz Antonio Cosenza, não havia no conselho registro de qualquer obra de grande porte no edifício Liberdade. Segundo ele, "qualquer obra grande, que altere a estrutura do prédio" deve ser registrada no órgão.

Imagens da lateral do edifício maior mostram também que foram feitas ao menos 12 janelas em seis andares do prédio alterando a fachada cega da construção.

O Clube de Engenharia designou uma comissão para investigar os acidentes.

 

Aluno falta a aula e escapa por pouco

Rio - O analista de sistemas Marcel Lima, 34 anos, escapou por pouco do desabamento dos prédios do Rio de Janeiro.

Ele disse que tinha um curso de tecnologia da informação às segundas, quartas e sextas no edifício Liberdade, o mais alto dos três que caíram.

Segundo Lima, um imprevisto o impediu de chegar à aula, que ocorria das 18h30 às 21h. O desabamento ocorreu por volta das 20h30. "Eu estava no carro ouvindo rádio e fiquei bem assustado.

Quando eu chequei em casa e vi a imagem na TV, identifiquei o prédio, aí realmente você fica em choque. O anjo da guarda tava de plantão."

Ele conta ter ficado mais emocionado ainda porque tem uma filha de 1 ano e sua mulher está grávida.

As aulas do curso que participava, na empresa Tecnologia Organizacional, ocorriam no sexto andar. Sua turma era de cerca de 12 pessoas, mas ele só tinha os telefones de outro colega e do instrutor do curso.

Após ficar sabendo do acidente, ligou para eles: seu colega também havia faltado à aula, mas o celular do instrutor só deu na caixa postal.

Segundo Lima, dias antes do desabamento a turma comentou sobre as obras que ocorriam no prédio e os possíveis riscos.

 

Elevador salva ajudante de pedreiro

Rio - O ajudante de obras Alexandro Fonseca, 31 anos, deixou ontem de manhã o Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio.

Ele estava no interior do prédio que desabou.

Fonseca diz que levava material para o nono andar quando viu o teto desabando. "A minha primeira reação foi me jogar de volta ao elevador.

Ele despencou em queda livre ficando preso entre o terceiro e quarto andar. No andar em que estava não teve explosão, não teve nada. Cheiro, só de tinta", disse.

"Na escuridão do elevador pensava que não veria mais meus filhos, minha família. A única luz que havia era a do celular".

Ele comentou que o telefone celular o salvou. "Foi esse aparelho aqui. Fiquei conversando com um amigo a cada dez minutos. Ele me colocou para falar com um dos bombeiros que logo me acharam", conta. O ajudante de pedreiro não sofreu qualquer ferimento.

 

Repercussão no mundo

 

BBC (Reino Unido)

O portal da emissora pública britânica dá ênfase aos esforços para localizar os desaparecidos. O texto fala de um faxineiro que foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros a partir de uma ligação telefônica para um amigo.

A emissora ainda citou um turista inglês que estava no local do desabamento, que destacou a normalidade com que as pessoas passavam pelas construções, consideradas pelo estrangeiro como "surreal".


New York Times (Estados Unidos)

O jornal americano aparece com a queda de dois prédios como

destaque na divisão Américas, mostrando que nos edifícios existia uma padaria e uma agência bancária.

A publicação ainda destaca a proximidade do local com as sedes da Petrobras e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).


Al Jazeera (Qatar)

A agência de notícias do Oriente Médio destaca na primeira página de seu portal na Internet os esforços para encontrar desaparecidos nos escombros dos prédios.

O texto fala sobre o cheiro de gás que é sentido no local e cita a declaração do prefeito carioca, Eduardo Paes, que considera "improvável" que um vazamento tenha provocado o desabamento.


La Nación (Argentina)

A página do jornal na Internet destaca o desabamento na capa do portal. Na reportagem interna, ainda coloca uma galeria com imagens do acidente.

A publicação cita que os prédios ficavam "em uma rua vizinha à Cinelândia, que abriga alguns dos mais importantes monumentos arquitetônicos do Rio, entre eles o Teatro Municipal e o Museu Nacional de Belas Artes".


The Guardian (Inglaterra)

"Dois mortos em queda de prédio no Rio", titula o jornal inglês, destacando o número de desaparecidos comunicado pelo Corpo de Bombeiros.

A esperança do prefeito Eduardo Paes em encontrar sobreviventes nos escombros dos três prédios também foi ressaltada pelo portal.