08 de julho de 2026
Bairros

Em busca de mais vida para casas

Murillo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Cerca de noves meses depois de se mudarem para os imóveis da Vila São João do Ipiranga, construídos pelo programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida", muitas das 38 famílias que ocupam as unidades residenciais ainda enfrentam dificuldades para equilibrar as novas obrigações financeiras com o orçamento mensal.

E mais: além das contas de água, luz e das parcelas mensais dos imóveis, por exemplo, muitos também se queixam que faltam melhorias estruturais na região.

A conclusão de uma via de ligação, a manutenção e a limpeza de terrenos baldios, além da oferta de possibilidades para murarem seus imóveis são algumas das cobranças.

"Este é um bairro que tem muitas crianças. Então, uma das nossas principais necessidades, são linhas de transporte escolar para nossos filhos irem à escola", cobra a dona de casa Márcia da Silva, 32 anos. "Muitos estão matriculados na Escola Estadual Durval Guedes de Azevedo, que fica a mais de vinte quadras de distância do bairro. Vou pagar R$ 200 por mês de transporte particular para meus filhos. Isso é mais do que o dobro da prestação da minha casa", completa.

Outro ponto bastante criticado pelos moradores ouvidos pela reportagem do Jornal da Cidade é uma confusão que existe com relação ao nome e ao CEP das ruas.

"As contas de água e luz chegam normalmente, mas quando um parente ou um amigo manda uma correspondência, corremos o risco de não receber", explica Márcia Fernanda Nunes, 31 anos. A dona de casa alega que entrou em contato com a Prefeitura e fez uma descoberta ainda mais intrigante: "Minha rua é a Sandro Alves de Almeida ou a rua Projetada. No entanto, parece que oficialmente ela nem existe", completa.

Segundo a secretária municipal do Bem-Estar Social, Darlene Tendolo, num primeiro momento a preocupação do município foi oferecer uma moradia digna para quem aderiu ao programa de desfavelização.

"Já a partir de março deste ano, os moradores de Bauru, incluindo os da Vila São João do Ipiranga, poderão realizar diversos cursos oferecidos pela Sebes, em parceria com o ‘Sistema S’. Isso vai proporcionar uma maior inclusão e a possibilidade de serem encaminhados para novos empregos e ampliarem suas rendas", garante.

 

Acompanhamento

A titular da pasta, que também faz parte do Grupo Multissetorial criado para administrar as questões relativas ao "Minha Casa, Minha Vida" em Bauru, ressaltou que o município está acompanhando as famílias e buscando mais opções para melhorar suas realidades. "Vamos continuar trabalhando para propiciar mais dignidade."

 

Pendência provoca ‘revezamento’

 Além dos problemas estruturais questionados por outros moradores, pelo menos duas moradoras relataram ao JC que nos últimos meses suas contas de água "dispararam", o que compromete todo o orçamento do mês e faz com que o "rodízio" dos pagamentos surja como opção.

"Minha conta costumava vir de R$ 10 a R$ 20 por mês. No entanto, as últimas duas que recebi foram de R$ 139 e 107", reclama Josefa Sofia da Silva, 42 anos. "Isso é quase o dobro da prestação da minha casa, não vou ter como pagar todas as obrigações nesse mês", questiona.

Procurada, a assessoria de comunicação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) orienta os interessados a entrar em contato com a autarquia pelos telefones do serviço de receita.Anote: 3235-6149/6150). Ou, ainda, serviço de leitura. Números (14) 3235-6131/6159.

 

Inadimplência

Apesar das dificuldades encontradas pelas famílias cuja renda não passa de três salários mínimos para quitar a residência, a assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal (CEF) alega que a inadimplência no setor de crédito imobiliário é pequeno: 1,73%, na média nacional.

A CEF informa, ainda, que não disponibiliza dados regionais, mas que acredita que a média de Bauru esteja dentro do índice nacional divulgado pelo banco.