08 de julho de 2026
Bairros

Distrito carga pesada

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

O Jardim Marambá é famoso em todo o município por abrigar muitos prédios residenciais, além de casas e uma grande diversidade de estabelecimentos comerciais. Quem já passou ou passa por aquelas ruas certamente se lembra dos Residenciais Parque das Camélias e Flamboyants, com suas calçadas sempre cheias de pessoas praticando caminhada, e de seus entornos, recheado de restaurantes, bares, lojas de roupas, entre outras coisas. Quem circulou recentemente por aquelas bandas também se lembrará da praça Mestre Bimba, inaugurada há alguns meses, que tornou-se ponto de diversão para os pequenos moradores da região e seus pais durante a noite.


O que pouca gente nota, por falta de oportunidade ou até mesmo de curiosidade, é que cerca de duas quadras para cima da praça, as características da região sofrem uma grande transformação. No lugar de casas, barracões altos movimentados por dezenas de trabalhadores. No lugar de crianças e pessoas caminhando, um intenso tráfego de veículos pesados. É que bem ao lado de uma das áreas mais populosas da cidade existe uma zona de serviços bastante diversificada.


“É um espaço legalmente situado na cidade pela lei de zoneamento que permite a instalação de empresas de mecânica pesada e pequenas indústrias. É similar a um distrito industrial, com a diferença de que na zona de serviço as terras são particulares”, explica Maria Helena Rigitano, arquiteta da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan).


A área para instalação de empresas foi delimitada pela lei de zoneamento em 1982 e, tecnicamente, é cercada pelas ruas Irmã Arminda, na altura da quadra 11; Jorge Pimentel, Elza Filipinni, e pela rodovia Marechal Rondon.


“Quando viemos morar aqui, em 1987, a região era tomada por mato. Poucas empresas estavam instaladas e quase não tínhamos vizinhos”, conta o eletricista José Osvaldo Ferreira.


Com o tempo o local foi se caracterizando como referência no segmento de mecânica pesada, especialmente nos últimos três anos, quando aumentou o ritmo de adensamento da região, e extrapolou os limites inicialmente impostos pela prefeitura.


“Foi um crescimento natural. Instalamos a empresa aqui em 1976 e essa área era quase deserta. Com o tempo outras empresas que fornecem peças e serviços para caminhões foram chegando. Depois chegaram empresas voltadas para construção civil. A aglomeração de prestadores de serviços similares aconteceu de forma espontânea”, explica Edson Luiz Gonçalves, de uma empresa especializada em caminhões.


Atualmente, embora o segmento de mecânica pesada tenha grande destaque dentro do leque de prestações de serviços do local, outras empresas batalham por seu espaço, como gráficas e indústrias de plástico, que, inclusive, já se estabeleceram por toda a rua Francisco Van Der Maas, fora do perímetro enquadrado inicialmente pela prefeitura como zona de serviços.


“Costumo dizer que da rua Cristiano Pagani para cima já é zona de serviços. É que ali já existem mais empresas que residências e como o preço do terreno custa em torno de R$ 180 mil, essa tendência tende a se concretizar cada dia mais”, explica Paulo Kazuo Shoda, proprietário de uma imobiliária.


Transitar pelo local e notar o contraste entre partes tão próximas de uma mesma região pode ser uma experiência interessante. Especialmente se o leitor se detiver aos detalhes, como a variedade de serviços oferecidos no local. Uma breve busca no Google Earth permite uma vista aérea do que as quadras compreendidas entre o Parque das Camélias e a rodovia Marechal Rondon abrigam.


Nas páginas seguintes, a equipe do JC nos Bairros selecionou algumas curiosidades da região que servem como aperitivo. Boa leitura!