08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

NOVA ORDEM MUSICAL


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Antes da internet e do mp3, o consumo de música era diferente. Um cidadão que morava no Brasil, numa cidade do interior, como Bauru, por exemplo, não tinha acesso ao número e diversidade de artistas que tem hoje. No início dos anos oitenta, tínhamos o LP. Os artistas brasileiros estavam começando a se acostumar a produzir música sem o olho atento de censores do Regime Militar (1964 ? 1985). Foi a década do rock brasileiro. O que conhecíamos de músicos estrangeiros era o que estava na mídia naquele momento. Havia alguns prazeres, impossíveis hoje, como ir à loja de discos, ficar escolhendo qual vinil levaria. A capa, o encarte, o cheiro, tudo fazia parte do processo e comprávamos o álbum, completo, com o lado A e o lado B.

Nos anos noventa já começamos a consumir de forma diferente, era a hora e a vez do CD (Compact Disc). Um som mais limpo, um tamanho muito menor e ouvíamos o disco inteiro sem precisar virar de lado. No geral, com o CD ainda tínhamos o prazer de ir à loja e escolher qual levar. A internet, o mp3, aliados às novas tecnologias, subverteram a ordem. Quebrou-se um paradigma. Estamos no olho do furacão, no momento chave da História. É um momento de transformação. Por isso está difícil para produtores, compositores, e consumidores de música no mundo inteiro entender as novas regras do jogo. Leis que restringem a distribuição de música na internet me parecem retrógradas. Ao que parece, nem nos Estados Unidos a indústria fonográfica se deu conta de que tais leis não funcionarão.

É tudo mais rápido, prático e descartável. E os consumidores, que são aquele quem ditam as regras dentro da nova realidade, parecem ter entendido muito mais facilmente do que produtores e compositores que teimam em querem jogar com as regras passadas.


Fabrício Silva ? professor de História