O meu lado empresarial está incomodado com a iniciativa dos supermercadistas que eliminaram a utilização da sacolinha plástica nos estabelecimentos comerciais. Gostaria de contribuir com ideias e pensamentos que possam acrescentar algo ao debate e ajudar na revisão desta medida.
Primeiro, lembro que foi a tecnologia da embalagem plástica uma forte alavanca no crescimento dos supermercados. A grande maioria dos produtos vendidos são embalados com filmes plásticos, fato que garante a qualidade, praticidade no armazenamento, transporte e exposição dos produtos, durabilidade, além de visual moderno e atraente ao consumo por impulso. Internamente, a maioria dos produtos expostos a granel são escolhidos e acondicionados em sacolas plásticas, além dos vários produtos como verduras, frutas, etc... embalados em plásticos.
Se a conveniência do cliente fosse privilegiada, a solução seria a substituição por sacolas alternativas e não a eliminação das sacolas plásticas. Portanto, fica a imagem que a decisão teve um caráter econômico forte, ou seja, eliminou-se um custo representativo que cumpria importante papel de serviço prestado. O argumento de ajudar ao planeta e o meio ambiente é fraco, porque não há tradição alguma de trabalhos semelhantes. Além disso, medidas muito mais eficazes podem ser tomadas, melhorando a imagem e conceito da população com relação ao supermercado. Seguem elenco de sugestões para apreciação: - aproveitar a política nacional de resíduos sólidos e aportar recursos na reciclagem de materiais plásticos, estimulando assim a cadeia produtiva e a reutilização de produto plástico; - utilizar espaços existentes para receber lixo eletrônico, baterias, etc... Pois este é o lixo que deverá incomodar a sociedade nas próximas décadas, ou seja, o que faremos com tantos equipamentos eletrônicos utilizados em escalas astronômicas? Além dos pontos acima, os supermercadistas deveriam se unir à indústria de transformação na luta contra os tributos elevados praticados no País, além da moralização e busca de uma economia formal, justa, competitiva, onde possamos produzir produtos com a qualidade e preços dos produtos importados. Não seriam essas causas mais significativas e pertinentes para a união dos supermercadistas? Os políticos que apóiam o projeto atual, nas vésperas de eleições, querem apoio dos supermercadistas? Perguntaram se a população está satisfeita e convencida dos méritos das medidas? Acho que tudo pode ser revisto e melhorado. Queremos ajudar o planeta e o meio ambiente com medidas eficazes. Se o plástico não serve para as sacolinhas, por que ele serve para embalar tantos alimentos?
O autor, Ricardo Coube, é diretor presidente do Grupo Tiliform