09 de julho de 2026
Regional

Crise afeta metalúrgica de Pirajuí

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Pirajuí – Dezenas de funcionários da metalúrgica Etscheid Techno, localizada em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), paralisaram ontem de manhã as suas atividades e protestaram em frente à empresa para cobrar o pagamento dos salários em atraso. Cerca de 75 colaboradores demitidos em janeiro também reclamam que não receberam as verbas rescisórias. A direção da Etscheid informou que uma reunião hoje de manhã irá definir o futuro da metalúrgica, que passa por grave crise financeira.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Lins, Agnaldo Barbosa Carvalho, a empresa não está depositando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de seus funcionários desde 2009.

Além disso, os trabalhadores demitidos no mês passado não teriam recebido as verbas rescisórias, as duas parcelas do abono de 2011 e do 13º salário, o salário de dezembro e o saldo de 19 dias de janeiro.

"O sindicato fez uma paralisação lá hoje (ontem) na intenção de levantar algum recurso para acertar esses trabalhadores. E ficou acertado que eles vão vender dois veículos da empresa para poder fazer a rescisão desses 75 trabalhadores", revela.

Carvalho explica que a situação dos funcionários que continuam trabalhando também é complicada. De acordo com ele, os que atuam no setor de produção ainda não receberam a segunda parcela do 13º, o abono e o salário do mês de janeiro. Já os colaboradores do setor administrativo estão sem receber os salários de dezembro e janeiro e a segunda parcela do 13º salário.

O vale de alguns funcionários, referente aos dois meses, teria sido pago na semana passada, após a venda de veículos. Além disso, os funcionários receberam R$ 1 mil. Para que possa saldar o restante dos débitos trabalhistas, segundo o presidente do sindicato, a empresa aguarda o pagamento por uma encomenda entregue no Rio de Janeiro.

Ele revela que a crise financeira da Etscheid teve origem após a morte de um dos sócios. A metalúrgica, que chegou a ter 350 funcionários e faturamento mensal de R$ 6 milhões, tem hoje entre 200 e 250 colaboradores e uma dívida que pode chegar a R$ 140 milhões. "Eles tinham uma carta de aproximadamente R$ 49 milhões em crédito, que foi cortada pelo banco", conta.

Hoje, às 7h30, diretores da empresa vão se reunir com um grupo de investidores que irá ajudar a metalúrgica a se reerguer financeiramente. Durante o encontro, que será acompanhado por representantes do sindicato, também deverá ser apresentada uma proposta para acertar os débitos trabalhistas dos funcionários.

Uma funcionária da Etscheid, que pediu para que seu nome não fosse divulgado, disse que está na expectativa por um acordo entre o sindicato e a empresa. "A empresa fala que não tem dinheiro, que não vendeu nada, só que a gente está sabendo que toda semana sai tanque e entra tanque. O dinheiro entra e sai normal", diz.

Ela conta que, desde dezembro, a metalúrgica afirma que está tentando resolver a situação. "O acordo deles é assim: vamos trabalhar e produzir para a gente poder pagar vocês. Aí a gente vai lá, faz tudo, só que não recebe", reclama. "Só que ninguém quer trabalhar mais enquanto não receber".

Segundo a funcionária, se nenhuma proposta concreta for apresentada pela empresa para que os salários atrasados sejam pagos, os funcionários continuarão de braços cruzados.

Procurado pela reportagem, Emerson Dias Costa, um dos diretores da Etscheid, informou que preferia aguardar o resultado da reunião de hoje para se manifestar oficialmente sobre o assunto. Ele também não confirmou a informação de que a empresa passará a ser administrada por um grupo de investidores.