11 de julho de 2026
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Instituto Lauro de Souza Lima, sua missão e o Dia Mundial de Combate à Hanseníase

Jaison Antônio Barreto
| Tempo de leitura: 2 min

A hanseníase ainda é um problema de saúde pública no Brasil. Faz parte do grupo das doenças negligenciadas e acomete uma parcela da população social e culturalmente desfavorecida, na maioria das vezes. Muitos médicos pensam que ela já não mais existe e isto dificulta sobremaneira o diagnóstico e o conseqüente tratamento. Nas universidades, onde os profissionais de saúde deveriam ser instruídos sobre as principais doenças que acometem o nosso país, pouca importância é dada para este mal. Como se isto não bastasse, ainda há muito preconceito e estigma por parte da sociedade, e mesmo de profissionais de saúde, acerca da doença, e isto limita ainda mais o acesso dos pacientes ao diagnóstico e tratamento.

O Instituto Lauro de Souza Lima (ILSL) de Bauru, centro de referência nacional e internacional nesta doença, vem trabalhando arduamente no combate à hanseníase. Apenas nos últimos 2 anos, com o apoio da Associação Alemã de Assistência aos Hansenianos e Tuberculosos, e das secretarias municipais e estaduais de Saúde, só em treinamentos externos, fui a mais de 50 municípios de 5 estados brasileiros, onde foram capacitados mais de 300 médicos, fora os outros profissionais de saúde (enfermeiros, fisioterapeutas, bioquímicos, etc), com aulas práticas e teóricas, em regime de treinamento em serviço. Isto sem contar os treinamentos realizados dentro da instituição, por meio de diversos cursos regulares (quase 10 por ano), nos quais eu atuo como docente, e dos estágios em Hansenologia para médicos, onde também sou preceptor.

Entre 2006 e 2010, quase 400 pacientes com reações graves, decorrentes da doença, foram atendidos no ILSL, oriundos de diversas partes do país. Por ano, cerca de 2.000 biópsias de pacientes com hanseníase, provenientes de diversos estados brasileiros, são avaliados pelo Serviço de Patologia do ILSL, onde trabalho, e mais de 100 casos novos são diagnosticados em nosso ambulatório. Eu atendo mais de 30 pacientes por semana, apenas por causa desta doença. Por tudo isso, creio que no nosso instituto a hanseníase não tem uma data anual: sua nefasta presença em nosso país é um dos principais motivos pelos quais continuamos a lutar, pois a vivenciamos todos os dias.

O autor, é Jaison Antônio Barreto, médico, hansenólogo, Cremesp 88194. Esta opinião é pessoal e não represento a diretoria do ILSL. Mais detalhes sobre a atuação do ILSL, em nível nacional, podem ser obtidos no site www.dahwmt.org.br