09 de julho de 2026
Geral

Unesp de Botucatu e Sabesp firmam convênio para limpeza da represa

Da redação JCNet
| Tempo de leitura: 3 min

A recuperação dos mananciais que abastecem os reservatórios Guarapiranga (São Paulo), Rio Grande (Baixada Santista) e Taiaçupeba (Suzano), anunciada em dezembro passado pelo governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin, é um projeto sob responsabilidade da Unesp, localizada no município de Botucatu (100 quilômetros de Bauru). A ação será realizada por meio de um convênio assinado entre a Fepaf (Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais), vinculada à Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA), Câmpus de Botucatu, e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

Conhecida como Programa de Proteção e Limpeza do Reservatório Guarapiranga, a iniciativa consiste em um conjunto de ações para o controle de algas e o manejo de plantas aquáticas – flutuantes e submersas –, além da retirada do lixo do fundo das represas. Segundo Ulisses Rocha Antuniassi, professor da FCA e presidente da Fepaf, o projeto envolve uma equipe multidisciplinar com conhecimento nas áreas de Engenharia, Agronomia e Biologia. “Esse pacote tecnológico não está à venda no mercado. Ele foi construído à medida em que avançaram as pesquisas científicas”, enfatiza.

Luís Fernando Nicolosi Bavin, coordenador do projeto junto à Sabesp, destaca que as ações ocorrem em três etapas paralelas. Para o controle das algas, embarcações da própria Sabesp passaram por reforma para receber equipamentos eletrônicos que controlam o fluxo de algicida lançado na água, além de um aparelho de georeferenciamento (GPS). Ao funcionar de forma integrada, os dois sistemas permitem mapear os locais onde devem ocorrer as aplicações e onde elas são necessárias, informa o docente Caio Antonio Carbonari, da FCA, que integra a equipe.

Carbonari lembra que antes da aplicação do algicida os técnicos utilizam o equipamento fluorômetro de campo para detectar a presença de clorofila, indicativo de algas em geral; e de ficocianina, um pigmento liberado por cianobactéria, microorganismo presente no reservatório. A proliferação das algas, que modificam o odor e o gosto da água, é consequência do desequilíbrio dos sistemas aquáticos. Em estado de envelhecimento, algumas cianobactérias podem liberar a microcistina, toxina potencialmente prejudicial à saúde. Antuniassi enfatiza a importância dessa operação para manter a potabilidade da água.

Embarcações exclusivas

As demais etapas do Programa de Proteção e Limpeza do Reservatório Guarapiranga consiste em projetar e construir duas embarcações exclusivas para retirada das plantas aquáticas – macrófitas – e do lixo das represas. A partir de maio, quando os dois barcos estiverem prontos, eles operarão inicialmente em pontos estratégicos da Guarapiranga. Entre eles, alguns córregos tributários, onde as plantas se reproduzem e se deslocam para os reservatórios.  Um dos barcos será utilizado para a retirada das plantas flutuantes. Sua dimensão será de 19 metros de comprimento, 6 metros de largura e calado (parte submersa) de 40 cm. Essa estrutura deverá suportar 20 mil quilos de plantas, mais os equipamentos.

O outro barco foi projetado para içar a até 6 metros de profundidade as plantas submersas e o lixo decorrente da ocupação inadequada das áreas de mananciais. Com 21 metros de comprimento e 6 de largura, deverá suportar cerca de 40 toneladas de carga, incluindo uma garra hidráulica.

Proliferação de algas e plantas

Especialista em manejo de plantas, o professor da FCA Edivaldo Domingues Velini lembra que sem medidas de controle elas obstruem a passagem de água para a estação de tratamento, de onde é distribuída para o consumidor. Isso ocorre principalmente durante as estações chuvosas, quando aumenta o volume da represa, podendo comprometer o fornecimento de água.

O desenvolvimento de forma desequilibrada de plantas aquáticas e algas ocorre em razão de nutrientes lançados nos reservatórios pelos esgotos urbanos e pela erosão, dizem os especialistas da Unesp. Eles também destacam a influência que áreas agrícolas também têm para a formação desse quadro. O coordenador do projeto ressalta que esse esforço do governo paulista é necessário para garantir a qualidade da água que abastece a região metropolitana de São Paulo, a sustentabilidade ambiental e o lazer nas represas.