11 de julho de 2026
Regional

Grupo assume metalúrgica em crise para iniciar a recuperação judicial


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Pirajuí – Afundada em uma grave crise financeira, que vem gerando demissões e atrasos nos salários dos funcionários, a metalúrgica Etscheid Techno, localizada em Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), passa a ser gerenciada por um grupo que dará início a processo de recuperação judicial visando reerguê-la no prazo de dois anos. Ontem, funcionários aprovaram em assembleia proposta de pagamento parcelado dos atrasados.

Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade, anteontem de manhã, dezenas de funcionários paralisaram suas atividades e protestaram em frente à sede da empresa para cobrar o pagamento dos salários atrasados e depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que não está sendo feito desde 2009.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Lins, os trabalhadores do setor de produção ainda não receberam a segunda parcela do 13º salário, abono e salário do mês de janeiro. Já os colaboradores do setor administrativo estão sem receber os salários de dezembro e janeiro e a segunda parcela do 13º salário.

A situação mais grave, porém, é a de 75 funcionários demitidos no mês passado, que não haviam recebido até ontem as verbas rescisórias. Ontem de manhã, o grupo que vai gerenciar a Etscheid durante os próximos dois anos reuniu-se com os funcionários para explicar o teor do plano de recuperação judicial e apresentar proposta para acertar os débitos trabalhistas. O presidente do sindicato, Agnaldo Barbosa Carvalho, conta que a atual diretoria foi afastada do comando da empresa.

Após assembleia, segundo ele, os trabalhadores que integram o quadro funcional da metalúrgica aceitaram a proposta apresentada. Além de se comprometer a pagar o salário de janeiro no início deste mês, o grupo irá depositar o FGTS de 2009, 2010 e 2011 nos próximos dois anos e acertar os atrasados (abono, salário e 13º) nos próximos seis meses.

"Eles também vão expandir mais a empresa. Hoje, ela trabalha em dois segmentos. Eles vão partir para quatro segmentos e, nesses dois anos, eles prometeram que o quadro voltará ao que era antes, com 350 ou mais trabalhadores", revela. Além de tecnologia para transporte de laticínios e produtos especiais, a Etscheid passará a explorar os setores de transporte de caçambas e de tanques para produtos químicos.

A situação dos funcionários demitidos, de acordo com Camargo, só será definida após assembleia agendada para amanhã. Se a proposta apresentada pelo grupo for aprovada, esses ex-trabalhadores irão receber 30% dos atrasados no mesmo dia do acordo, 30% no dia 10 de março e 40% no dia 10 de abril.

Já o acerto das verbas rescisórias e FGTS poderá ser feito em até seis meses.

Segundo Camargo, a metalúrgica, que chegou a ter 350 funcionários e faturamento mensal de R$ 6 milhões, conta hoje com aproximadamente 150 funcionários e uma dívida que pode chegar a R$ 140 milhões. Apesar de ter declarado que iria se manifestar sobre a situação da Etscheid ontem, Emerson Dias Costa, até então diretor da metalúrgica, não atendeu às diversas ligações da reportagem. O JC não conseguiu localizar o responsável pelo grupo que assumiu o gerenciamento da empresa. (LG)