08 de julho de 2026
Internacional

Hooligans foram às ruas derrubar ditador


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Cairo - A violência dos torcedores egípcios no futebol tem relação direta com a "Primavera Árabe" que derrubou o ex-ditador Hosni Mubarak. E a queda dele intensificou os confrontos em estádios.

Os holligans (torcedores violentos) dos dois principais times do Cairo, Zamalek e Al Ahly, estavam na linha de frente do movimento na Praça Tahrir contra o regime. O Al Ahly estava envolvido na tragédia de ontem.

Apesar da rivalidade, as torcidas organizadas dos dois clubes têm como inimigo comum a polícia, que reprimia cantos e bandeiras nos estádios. Por isso, atuaram em conjunto nas batalhas pela derrubada de Mubarak.

Membros dos Ultras do Al Ahly, maior organizada do time, relataram que havia entre 10 mil e 15 mil torcedores nos combates na praça.

"Regime! Tenha medo de nós. Nós estamos vindo hoje com um propósito. Deus todo-poderoso vai nos fazer vitorioso. Vão holligans", cantavam os torcedores.

Com a queda de Mubarak, a repressão dos policiais aos fanáticos se arrefeceu. Houve relaxamento nas revistas dos estádios, segundo relatos dos próprios torcedores.

Isso aumentou o número de casos de violência nas arenas em 2011. Fãs do Zamalek, por exemplo, agrediram jogadores e rivais de um time tunisiano em jogo no Cairo.

Em setembro, os Ultras do Al Ahly, time mais popular do Egito, enfrentaram policiais em partida no Cairo, o que resultou em 113 feridos.

Esse grupo de torcedores do Cairo também é rival de fanáticos de equipes de outras localidades, como os do Masry, de Port Said, com quem se confrontaram ontem.

Em maio do ano passado, torcedores do Al Masry usaram violência para impedir que torcedores do Al Ahly desembarcassem na estação de trem em Port Said.