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Douglas Reis |
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'Quero justiça pela morte do meu filho!' Samira, mãe do bebê |
"Eu sei que nada irá trazer meu filho de volta, mas eu quero justiça", lamenta Samira Pereira Goes, 31 anos, mãe do bebê de seis meses que chegou a ser atendido três vezes, nesta semana e acabou morrendo.
Gustavo Pereira dos Santos teria dado entrada no Pronto Atendimento de um hospital particular na tarde da última quarta-feira. Segundo a avó materna, Maria Josefina Pereira, 48 anos, o garoto foi levado ao São Lucas após apresentar febre alta.
Segundo Maria, a família acreditava que a febre seria por conta dos dentes do bebê que estariam nascendo, mas após alguns exames foram alertados pelos médicos da unidade que o garoto estaria com um quadro de anemia. "Eles falaram que ele estava com um pouquinho de anemia e que precisariam fazer outro exame com a urina, mas como estava difícil dele fazer xixi, o médico disse que poderíamos ir embora. Então voltamos pra casa com o saquinho coletor e com o garoto com febre", ressaltou a avó.
Por volta das 21h do mesmo dia, e sem apresentar melhoras, a mãe da criança notou que o pescoço do filho apresentava um inchaço na parte lateral e novamente levou Gustavo ao Pronto Atendimento. De acordo com Samira, um médico que atendeu o caso informou que o garoto precisaria passar por um exame de ultrassom que só poderia ser realizado na manhã dia seguinte.
Antibióticos
Após passar a noite internado em observação na unidade médica privada, o garoto fez o exame na manhã de quinta-feira e acabou sendo liberado pela segunda vez. "Após o ultrassom, a doutora que nos atendeu disse que ele estaria caxumba e nos liberou", afirmou a mãe da vítima.
De acordo com a avó, a criança teve alta médica pela segunda vez por volta das 11h de anteontem.
Alguns antibióticos teriam sido prescritos para o bebê, entretanto, a médica que os atendeu teria alertado a mãe para que esperasse o resultado dos outros exames antes de medicá-lo. "Como ele estava com bastante febre falaram para ela (a mãe) que poderia intercalar o Dipirona com Novalgina", lembrou dona Maria.
Nesse meio tempo, Samira afirma que voltou para casa, por volta do 12h, deu banho e leite para o filho, que ainda apresentava estado febril e acabou dormindo.
Segundo ela, após a criança adormecer teria percebido um aumento no inchaço e uma cor diferente no pescoço do bebê. "O pescoço inchou dos dois lados e começou a ficar roxo, coagular. Ligamos para a pediatra dele e ela disse para levarmos ele urgente no consultório", contou a mãe.
Ao chegarem na pediatra, a médica teria percebido a gravidade do quadro clínico da criança e encaminhado o bebê, por volta das 18h, diretamente para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Maternidade Santa Isabel.
O garoto passou por diversos procedimentos na UTI, mas não resistiu e morreu por volta das 21h desta quinta-feira.
Inconformado com a situação, o pai da criança, Hallan Victor dos Santos, 20 anos, foi ao Plantão Policial registrar um Boletim de Ocorrência sobre o ocorrido na noite de anteontem.
"Nada irá trazer ele de volta, mas isso não pode ficar assim. Nós o levamos para ser atendido e nos liberaram", salientou a mãe, que chorava a perda no velório do filho.
Procurado, o hospital preferiu não se pronunciar ontem.
Investigação sobre meningite
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que "o caso referente ao óbito do bebê citado pela reportagem" foi encaminhado para providências da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município. Segundo a secretaria, existe uma suspeita de que a criança possa ter contraído meningite, o que ainda não foi confirmado.
Entretanto, mesmo sem a confirmação, o órgão afirma que é procedimento de rotina, determinado do Ministério da Saúde, iniciar investigação entre os familiares, pessoas próximas e ambiente de convivência do bebê. A ação pretende realizar um possível bloqueio da doença, que é de notificação obrigatória. Prescrição de medicamentos entre entre outras medidas deverão ser tomadas.
Maria Josefina, que estava no velório do neto, confirmou que a Vigilância Sanitária esteve no local na manhã de ontem alertando a família sobre a suspeita da meningite meningocócica. "Eles disseram que eu, minha filha e como todas as pessoas que vivem dentro da minha casa, ou tiveram contato com o bebê teremos que tomar um antibiótico", comentou dona Maria.
Bactéria
A meningite meningocócica é uma doença grave provocada pela bactéria "Neisseria meningitidis" que dá origem a uma infecção e pode ser transmitida por intermédio de um contato próximo entre pessoas por secreções respiratórias (ao tossir) e secreções salivares. Dores de cabeça e febre são dois dos sintomas.