09 de julho de 2026
Saúde

Bebê de 6 meses morre após ser internado três vezes em Bauru

Marcele Tonelli com informações de Aline Rodriguez
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

'Quero justiça pela morte do meu filho!' Samira, mãe do bebê

"Eu sei que nada irá trazer meu filho de volta, mas eu quero justiça", lamenta Samira Pereira Goes, 31 anos, mãe do bebê de seis meses que chegou a ser atendido três vezes, nesta semana e acabou morrendo.

Gustavo Pereira dos Santos teria dado entrada no Pronto Atendimento de um hospital particular na tarde da última quarta-feira. Segundo a avó materna, Maria Josefina Pereira, 48 anos, o garoto foi levado ao São Lucas após apresentar febre alta.

Segundo Maria, a família acreditava que a febre seria por conta dos dentes do bebê que estariam nascendo, mas após alguns exames foram alertados pelos médicos da unidade que o garoto estaria com um quadro de anemia. "Eles falaram que ele estava com um pouquinho de anemia e que precisariam fazer outro exame com a urina, mas como estava difícil dele fazer xixi, o médico disse que poderíamos ir embora. Então voltamos pra casa com o saquinho coletor e com o garoto com febre", ressaltou a avó.

Por volta das 21h do mesmo dia, e sem apresentar melhoras, a mãe da criança notou que o pescoço do filho apresentava um inchaço na parte lateral e novamente levou Gustavo ao Pronto Atendimento. De acordo com Samira, um médico que atendeu o caso informou que o garoto precisaria passar por um exame de ultrassom que só poderia ser realizado na manhã dia seguinte.

 

Antibióticos

Após passar a noite internado em observação na unidade médica privada, o garoto fez o exame na manhã de quinta-feira e acabou sendo liberado pela segunda vez. "Após o ultrassom, a doutora que nos atendeu disse que ele estaria caxumba e nos liberou", afirmou a mãe da vítima.

De acordo com a avó, a criança teve alta médica pela segunda vez por volta das 11h de anteontem.

Alguns antibióticos teriam sido prescritos para o bebê, entretanto, a médica que os atendeu teria alertado a mãe para que esperasse o resultado dos outros exames antes de medicá-lo. "Como ele estava com bastante febre falaram para ela (a mãe) que poderia intercalar o Dipirona com Novalgina", lembrou dona Maria.

Nesse meio tempo, Samira afirma que voltou para casa, por volta do 12h, deu banho e leite para o filho, que ainda apresentava estado febril e acabou dormindo.

Segundo ela, após a criança adormecer teria percebido um aumento no inchaço e uma cor diferente no pescoço do bebê. "O pescoço inchou dos dois lados e começou a ficar roxo, coagular. Ligamos para a pediatra dele e ela disse para levarmos ele urgente no consultório", contou a mãe.

Ao chegarem na pediatra, a médica teria percebido a gravidade do quadro clínico da criança e encaminhado o bebê, por volta das 18h, diretamente para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) da Maternidade Santa Isabel.

O garoto passou por diversos procedimentos na UTI, mas não resistiu e morreu por volta das 21h desta quinta-feira.

Inconformado com a situação, o pai da criança, Hallan Victor dos Santos, 20 anos, foi ao Plantão Policial registrar um Boletim de Ocorrência sobre o ocorrido na noite de anteontem.

"Nada irá trazer ele de volta, mas isso não pode ficar assim. Nós o levamos para ser atendido e nos liberaram", salientou a mãe, que chorava a perda no velório do filho.

Procurado, o hospital preferiu não se pronunciar ontem.

 

Investigação sobre meningite

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que "o caso referente ao óbito do bebê citado pela reportagem" foi encaminhado para providências da Divisão de Vigilância Epidemiológica do município. Segundo a secretaria, existe uma suspeita de que a criança possa ter contraído meningite, o que ainda não foi confirmado.

Entretanto, mesmo sem a confirmação, o órgão afirma que é procedimento de rotina, determinado do Ministério da Saúde, iniciar investigação entre os familiares, pessoas próximas e ambiente de convivência do bebê. A ação pretende realizar um possível bloqueio da doença, que é de notificação obrigatória. Prescrição de medicamentos entre entre outras medidas deverão ser tomadas.

Maria Josefina, que estava no velório do neto, confirmou que a Vigilância Sanitária esteve no local na manhã de ontem alertando a família sobre a suspeita da meningite meningocócica. "Eles disseram que eu, minha filha e como todas as pessoas que vivem dentro da minha casa, ou tiveram contato com o bebê teremos que tomar um antibiótico", comentou dona Maria.

 

Bactéria

A meningite meningocócica é uma doença grave provocada pela bactéria "Neisseria meningitidis" que dá origem a uma infecção e pode ser transmitida por intermédio de um contato próximo entre pessoas por secreções respiratórias (ao tossir) e secreções salivares. Dores de cabeça e febre são dois dos sintomas.