Cairo - Em mais um dia de tensão, subiu para 12 o número de vítimas nos enfrentamentos entre a polícia e manifestantes no Egito, segundo declaração de Hisham Shiha, subsecretário do Ministério da Saúde, à agência EFE.
Na manhã de ontem, várias centenas de pessoas protestavam na capital - nos arredores da praça Tahrir e do Ministério do Interior - pedindo reformas policiais e clamando até pela execução da junta militar no poder.
A polícia lançou gás lacrimogêneo enquanto os manifestantes entoavam gritos contra as autoridades egípcias.
Os policiais utilizam as mesmas pedras que foram lançadas pelos jovens e que cobrem a calçada das ruas que rodeiam o Ministério do Interior. Os manifestantes conseguiram avançar posições e deslocaram um alambrado que havia sido colocado pela polícia para proteger a sede ministerial.
Por trás dos arames, as forças de segurança instalaram uma dupla barreira humana para evitar novos avanços, enquanto furgões policiais e caminhões do Exército estão estacionados na retaguarda.
As manifestações tiveram início na quinta-feira e foram uma reação à morte de 74 pessoas em uma partida de futebol realizada um dia antes. É a pior tragédia esportiva nos últimos 15 anos.
O ocorrido levou milhares de egípcios às ruas para pedir a saída da junta militar no poder, que, para a população, é incapaz de controlar a violência no país.
No Cairo, houve uma tentativa de invasão do Ministério do Interior. O protesto foi liderado pelos "ultras", torcedores do Al Ahly, um dos times envolvidos. Além das vítimas fatais, foram contabilizados 1.500 feridos no Estádio de Port Said (220 km a nordeste do Cairo), onde se enfrentaram os times Al Ahly (o mais popular da capital) e Al Masry (seu rival local).
Os militares completam um ano de um governo instável - depois da queda do ex-ditador Hosni Mubarak - e são acusados de atrasar a transição para o regime democrático.