08 de julho de 2026
Geral

Para dar mais leveza e alegria à vida

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Que jogue a primeira pedra quem nunca teve uma coleção, seja de figurinhas, carrinhos, bonecas, bichinhos de pelúcia, chaveiros, canetas ou peças que exijam grande investimento, como carros antigos ou mesmo joias. No mesmo contexto, há quem participe de clubes ou não dispense brincadeiras entre amigos.

O fato é que o lúdico, muito presente na infância e adolescência, também tem espaço na vida adulta e, segundo especialistas, é importante, inclusive, para dar leveza e alegria à vida. Segundo o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, o lúdico é relativo a jogo, brinquedo e visa mais ao divertimento do que a qualquer outro objetivo. Se faz por gosto e pelo prazer de fazê-lo.

Para a psicóloga Maria José Barbosa, o ser humano encontra no lúdico o contato consigo mesmo, algo que, segundo ela, está faltando atualmente. Outros pontos importantes da ludicidade no universo adulto são os momentos de leveza e alegria acrescentados à vida.

"Hoje, as pessoas estão tão envolvidas com os afazeres diários que esquecem de ter um tempo somente para elas. Ter um hobby, como as coleções, ou outra atividade de lazer qualquer, ajuda o adulto a sair do estresse e das preocupações rotineiras. Tais atividades ajudam até mesmo a amenizar problemas de saúde como a hipertensão, entre outros", salienta Barbosa.


Presentes

Adepta do ato de colecionar objetos, a psicóloga decora sua casa com dezenas de imagens de São Francisco de Assis e, na cozinha, são cerca de 125 bules. Boa parte dos objetos são presentes. Segundo Barbosa, cada objeto tem sua história e fortalece laços de consideração, união e amizade.

"É maravilhoso você presentear um amigo com algo que ele goste. Quando convido alguém para um chá ou visito antiquários em busca de bules, sinto o aconchego da amizade. E esses objetos representam esse sentimento, sem dúvida."


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Livre de obrigações, atividade motiva e alegra


Além de conduzir aos relacionamentos interpessoais, assim com na criança, a atividade lúdica proporciona ao adulto a capacidade de ultrapassar aquilo que se está habituado a fazer, o que proporciona novas descobertas, conhecimentos e motiva sua capacidade criadora.

"À medida em que o adulto descobre esse "novo", ele se redescobre, se reconhece em novas relações e é capaz de atuar livremente nelas O fato da participação em atividades lúdicas ser voluntária, livre das obrigações profissionais, familiares ou sociais, a torna uma atividade liberatória, desinteressada, motivadora", acredita a psicóloga Nathália Bicarato Gonçalves.

Ainda segundo Gonçalves, é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o seu eu. Sendo assim, os momentos de lazer, sejam quais forem, despertam a criatividade e liberam a personalidade adulta de forma intensa e integral.

Gonçalves também aponta que a psicanálise entende que a atividade lúdica tem algumas motivações tais como, busca pelo prazer, expressar agressão, controlar ansiedade, estabelecer contatos sociais, realizar a integração da personalidade e comunicar-se com as pessoas.

"O lúdico serve de elo entre a relação do indivíduo com sua própria realidade e com a realidade externa ou compartilhada. Por isso tem grande importância e valor. O brincar é universal, saudável e desejável", acrescenta.


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?Não troco, não vendo e não dou?

Fundado oficialmente em 2008, o Fusca Club de Bauru reúne, hoje, mais de 200 associados. São homens e mulheres de todas as idades mas com a mesma paixão: o carro de estimação. Mais do que um hobby, para os membros, ter um fusca é sinônimo de lazer, prazer e diversão.

Para o presidente do Club, José Ferraz Júnior, o fusca é como um bichinho de estimação. E como tal, ele recebe cuidados e atenção: "Tenho o meu carro há 17 anos e desde os 17 anos de idade. Criei um verdadeiro vínculo afetivo com ele. Faça chuva ou faça sol, todo sábado eu limpo e "brinco" com ele, como um menino mesmo".

Segundo José, adquirir o fusca há 17 anos foi uma questão financeira: "Não tinha dinheiro para outro carro". Já, hoje, para ele, não há preço que pague o carro de estimação: "Já gastei mais de R$ 20 mil personalizando meu Fusca. Não troco, não vendo e não dou. Foi dessa paixão que nasceu a ideia de organizar um clube para unir pessoas com o mesmo gosto",afirma.

Basta chegar o fim de semana ou os feriados para José se reunir com os integrantes do Fusca Club para passeios e encontros na cidade e região. E com o clube, ele ganhou muitos e bons amigos, além aliviar o estresse do cotidiano.