10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Parabéns, cartunista Fernando!


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Em carta de 02/02, o senhor Henrique P. de Aquino se agitou contra a ótima charge sobre a visita de Dilma em Cuba, feita pelo cartunista Fernando e veiculada neste jornal. Devo dizer, em primeiro lugar, que Fernando é um cartunista experiente e com conhecimento de causa: nada lhe faltou em relação ao conhecimento histórico, ao contrário do que explicitou Aquino.

A indignação do senhor Aquino em relação à charge faz jus ao velho hábito ? e digo hábito por ser um costume, uma mania, algo que se faz muitas vezes por inércia ? de defender Cuba como um paraíso terrestre da liberdade e da igualdade. Pois não há nada mais falso e controverso do que tal afirmação.

Há eleições em Cuba? Sim. Mas me responda, quantos partidos existem por lá? Por quanto tempo o ditador Fidel Castro ficou no poder? Pois respondo: desde 1959, quando, para chegar ao poder, fuzilou, massacrou e extinguiu pessoas com ajuda do sanguinário Che Guevara. E só deixou o cargo por não ter mais condições físicas e quiçá psicológicas para continuar, passando o bastão para seu irmão, Raul Castro.

Claro que não podemos comparar os atos do senhor Castro com Guantánamo ou "Pinheirinho", pois para o líder cubano, inimigo bom é inimigo morto. Tortura talvez não se conheça em Cuba: durante a Revolução Cubana, civis e militares foram executados pelos comunistas e submetidos a processos de extração de sangue ("Guia Politicamente Incorreto da América Latina, pg. 55). Democracia? Liberdade? Estas são palavras que só existem nos discursos de Fidel e cia. e nunca em seus atos. Vide o atual caso da blogueira cubana Yoani, que tenta deixar o país.

Poderia citar inúmeros casos daqueles que tentam fugir do "país das maravilhas", mas o senhor Aquino, como professor de história que é, já os deve conhecer. Charges não foram feitas para "satisfazer" ninguém, senhor Aquino. Charges foram feitas para criticar através do humor e da arte. Objetivo atingido por esta, já que estamos aqui a discutir sobre o fato.

Flávia Arielo, professora de história e mestranda em Ciências da Religião da PUC-SP