Com pouco mais de dois meses de trabalho, a nova diretoria do Lar Escola Rafael Maurício está otimista em relação à reabilitação da própria instituição. A maior preocupação dos dirigentes ainda é o atraso nos salários por conta das crises anteriores.
Para tentar sanar este e outros problemas e dar vida revigorada à entidade, a nova gestão planeja colocar em prática vários projetos que dependem da ajuda de parceiros e sócios corporativos. As ações planejadas vão desde bazares a uma gráfica de produtos em braile.
"Nosso compromisso com os atuais funcionários é colocar a folha de pagamento em dia. Quando assumimos, o Lar estava com três folhas atrasadas. Acredito que até o fim deste mês vamos conseguir encerrar tal dívida. Enquanto isso, os atrasados estão sendo julgados. A dívida da casa, hoje, gira em torno dos R$ 800 mil", explica a diretora presidente da entidade, Giane Vaz.
A busca por soluções para o Lar inclui, segundo ela, uma campanha para atrair sócios corporativos. "Nossa meta é conseguir cem sócios. Estamos com nove", frisa. As pessoas físicas também fazem parte dessa campanha. Segundo a diretora, atualmente são 230 que contribuem com, em média, de R$ 20 a R$ 30 mensais. "São voluntários fiéis e responsáveis pelos primeiros passos do Lar". A meta é atrair mil doadores até o meio do ano.
Aproximação
Em parceria com a rede de supermercados Confiança, o Lar Escola terá várias edições do "Almoço Fraternal", realizadas no próprio Lar. "Vale ressaltar que todas os próximos eventos serão feitos em nosso espaço. O intuito é que as pessoas conheçam o trabalho que estamos desenvolvendo", ressalta a diretora.
Outra ideia em desenvolvimento é o licenciamento da marca Rafael Maurício. O objetivo inicial é convidar empresas para associar seus produtos à marca: "Os produtos terão relação com crianças e pessoas com deficiências".
Pela boa visibilidade do prédio, na Vila São Paulo, outra iniciativa diz respeito à construção de painéis para propagandas. "Também separamos uma ala para ser locada pela prefeitura para uma possível incubadora social".
Este último projeto visa a possibilidade de um espaço para que talentos da comunidade, como artesãos, marceneiros, entre outros, possam melhorar a vida de outras pessoas ensinando o seu ofício. "Também queremos que haja espaço para os deficientes trabalharem. Teremos uma resposta do prefeito ainda esta semana", acredita.
Ajuda sustentável
Outra alternativa para arrecadar fundos é a campanha de coleta de óleo de cozinha usado. A ação é feita em parceria com sócios físicos que solicitam que vizinhos e familiares guardem o material reutilizável. Cada litro de óleo é vendido pelo Lar por R$ 0,80.
Qualquer pessoa pode doar ou arrecadar o óleo pela vizinhança. O voluntário pode levar o líquido recolhido na sede da entidade ou mesmo ligar e solicitar que um funcionário recolha a doação. Neste último caso, deve juntar ao menos 10 litros para a doação.
Outra prática é o bazar na Praça Rui Barbosa, também realizado com doações. O Lar pede para que os interessados em doar roupas, sapatos e móveis usados entrem em contato com a entidade.
?Nosso empenho é colocar em prática o centro de qualificação profissional para os deficientes?
A diretora presidente do Lar Escola Rafael Maurício, Giane Vaz, acredita que se 10% de tudo o que está sendo feito e planejado para recuperar a entidade der certo, o resultado já será satisfatório.
Além de revitalizar a casa, o intuito é construir um centro de excelência em qualificação profissional para pessoas com deficiência.
"Estamos atendendo, hoje, apenas três internos, mas objetivamos atender, ainda em 2012, ao menos 20 novos abrigados que terão assistência de saúde, atividades pedagógicas e encaminhamento para o trabalho", planeja Vaz.
E para dar os primeiros passos, a nova equipe do Lar foi até o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Itu, um reconhecido centro de referência para o atendimento de pessoas com deficiências, para conhecer o trabalho realizado por lá. "Cursos e treinamentos por meio de equipamentos adaptados, visando a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, foi o que mais chamou a nossa atenção. Já negociamos dez cursos gratuitos para atender cerca de 200 pessoas da nossa comunidade".
Variados, os cursos abrangerão informática, entalhe em madeira, lapidação manual de pedras preciosas, modelagem e torneamento cerâmico, serigrafia, costura e braile. "Vimos o funcionamento de uma gráfica em braile que poderá imprimir cartões de visitas, peças publicitárias e até livros e estamos alinhando para montar uma dentro da instituição, que também será mantenedora do Lar", finaliza.
Serviço
O Lar Escola Rafael Maurício fica no quilômetro 346 da rodovia Cezário José de Castilho (Bauru-Iacanga). O telefone de contato da entidade é o (14) 3237-2311.