07 de julho de 2026
Articulistas

Construa um belo edifício

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 4 min

O tempo é uma ilusão. Ele não existia até o Big Bang ou antes das cortinas se abrirem. O tempo poderia ser definido como a distância entre a causa e o efeito ou entre a ação e a reação. É o espaço entre a atividade e a repercussão, a separação entre o crime e a consequência. Por isso a regra de ouro do tempo diz: aja com os outros como gostaria que agissem com você ou ainda, nas palavras do Dalai Lama: se você puder, ajude os outros; se não, não os fira. A regra faz sentido e o mundo seria um lugar melhor se todos vivessem segundo ela. Sem a ilusão do tempo, o passado, o presente e o futuro se dobrariam num único todo unificado. O tempo unificado parece algo inconcebível, no entanto, creio que apenas os limites de nossa consciência nos impede de ver o ontem e o amanhã neste exato momento.

Já me disseram que o tempo se assemelha a um edifício... Imaginemos um prédio de 20 andares. Se o décimo andar, onde estaríamos agora, representar o momento presente; os andares de 1 a 9 representariam o passado e os andares de 11 a 20, o futuro. Nossos cinco sentidos perceberiam só o 10º andar; por conta de nossas limitações não conseguimos ver nem os andares debaixo nem os que estão acima. A lógica de nossa mente nos convence de que o 10º andar é tudo o que pode existir. Mas a verdade é que todos os andares passado, presente e futuro existem igualmente como parte do prédio. Se pudéssemos flutuar para fora do 10ºandar do prédio, veríamos todos os 20 andares ao mesmo tempo.

O tempo é, muitas vezes, fonte de sofrimento. O passado nos assombra quando nos enche de tristeza ou arrependimento. Gostaríamos até de revive-lo para consertar as coisas ou, simplesmente, curtir tudo de novo. Procuramos sempre antecipar o futuro; mas ele aterroriza a muitos. Vemos o futuro como uma saída para um presente pouco satisfatório, mas também ficamos inseguros se ele vai se realizar da forma como o planejamos. A perspectiva futura nos tira das certezas do aqui e do agora, do branco e do preto, do sim e do não e nos leva para um mundo de possibilidades imaginadas, de probabilidades, de condições e implicações. O sucesso da civilização ocidental pode ser atribuído ao predomínio da orientação para o futuro de muitos povos.

No entanto, o futuro está sempre aqui, mas somos incapazes de nos conectar com ele. O tempo gasto na leitura do parágrafo anterior virou passado, este momento do seu futuro se tornou presente e está prestes a fazer parte do passado. Os dias são contados da mesma forma para todos, mas raramente sabemos quanto tempo nos resta, só sabemos que nosso tempo é breve e passará independentemente do que possamos fazer. Por isso, devemos ter um propósito na maneira de gastá-lo. Vamos gastá-lo de modo a torná-lo importante para cada um de nós e para todos cujas vidas nós tocamos. O nosso propósito existe no presente e nós lutamos para mantê-lo no futuro, mas o motivo pelo qual lutamos depende de cada um de nós.

Seja qual for o propósito que você estabeleça, o tempo vai te conceder três oportunidades para ser feliz. A perspectiva temporal do passado positivo faz com que você reviva a felicidade passada sempre que se lembrar dela. A perspectiva temporal do presente permite que você mergulhe na felicidade do momento. Por fim, a perspectiva temporal do futuro permite que você faça planos de ser feliz no futuro e extraia prazer da esperança da felicidade futura. Onde quer que encontre a felicidade, você tem que dedicar tempo para vivê-la. Encontrar um propósito leva tempo e ser feliz também. Dê a si mesmo o presente do tempo. Se você mesmo não se conceder tempo para ser feliz, ninguém mais o fará. Por isto é preciso treinar a mente para ficar neste momento. Este aqui, bem agora e vivenciar a experiência desse momento de forma proativa. Agindo assim, além de desfrutar o hoje, você pode recuperar o ontem e conduzir o amanhã.

O autor, Paulo Cesar Razuk, é professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp ? câmpus de Bauru