08 de julho de 2026
Polícia

Jovem acusa PM de espancamento

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Outro morador de Bauru registrou um boletim de ocorrência (BO) acusando a Polícia Militar (PM) de espancamento. Desta vez, a vítima seria um adolescente de 17 anos, que estava em um baile funk no Parque Jaraguá. No local, pessoas teriam atirado pedras contra uma viatura da polícia, que, de acordo com a denúncia, teria acionado reforços e agredido vários inocentes.

A suposta agressão ocorreu no último sábado, por volta das 4h da manhã, na rua Samuel Casali. O jovem conta que, no local, era realizado um baile funk e que, por conta do som alto, a PM foi acionada.

Na chegada da viatura, pessoas teriam atirado pedras contra o veículo. "Foi então que eles chamaram mais outras quatro viaturas. Eles já chegaram batendo em todo mundo. Eu não os agredi e nem fiz nada. Também não joguei as pedras. Não merecia ter apanhado assim", conta o adolescente, apontando várias marcas nas costas.

Ele alega ter sido derrubado por cerca de quatro policiais, que davam chutes e golpes de cassetetes. Além disso, teriam ofendido o jovem várias vezes. "Eles bateram em mim e em mais ou menos 30 pessoas. Tinha muitas garotas lá também. Uma senhora até pediu para que parassem de me bater".

Algemado, o adolescente foi conduzido ao Plantão da Polícia Civil com mais cinco pessoas que também estavam no local. Pela manhã, a mãe do jovem, uma diarista de 33 anos, que pediu para ter a identidade preservada, foi acordada pelo Conselho Tutelar.

"Eu não sabia que ele estava lá. Ele esperou o pai e eu dormir para sair. Quando me contaram o que ocorreu, eu tive o maior susto", conta a mulher. Questionada sobre o comportamento do filho, ela diz que ele nunca teve problemas. "Olha as mãos dele. Tem um monte de calo do trabalho. Além de estudar, ele ajuda o pai, que é pedreiro".

Ainda no sábado, a família fez um BO por abuso de autoridade. Segundo consta no registro, a vítima não viu o prefixo das viaturas, porém, teria a capacidade de reconhecer os policiais envolvidos. Na tarde de ontem, o garoto passou por exame de corpo de delito, que pode comprovar as agressões.

Ontem, o jovem mostrou os ferimentos para a reportagem. Após três dias do suposto espancamento, as costas ainda estavam bastante marcadas. Por meio de fotos tiradas pelos familiares, é possível ver mais hematomas nas costas, além de pernas e braços.

"Nem que for meu último centavo, eu vou gastar com isso. Tem que existir justiça. Vamos até o final", prometeu a avó da vítima, que, também por motivos de segurança, pediu para não ter seu nome divulgado.

 

Caso recente

Há uma semana, a Polícia Militar (PM) de Bauru foi alvo de outra denúncia de espancamento. Na ocasião, um vigilante de 33 anos acusou ter sido agredido no bairro Granja Santa Cecília. Por conta do suposto excesso de força, ele estava com marcas na cabeça, vários hematomas pelo corpo e o pulso inchado.

As agressões teriam ocorrido após uma denúncia de que o homem dirigia perigosamente pelo bairro. Ele, entretanto, nega a versão, dizendo que estava apenas sem os documentos obrigatórios do veículo. O caso está sendo investigado.

 

PM responde

Na madrugada da confusão, a PM registrou um BO contra o grupo por desacato, lesão corporal e dano ao patrimônio público. "Duas viaturas foram danificados e um policial teve ferimentos da mão", alega o oficial de Relações Públicas do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), capitão Renato Ramos.

Segundo ele, a viatura foi chamada ao local do baile funk pela própria comunidade para verificar uma possível perturbação de sossego e, ao chegar, foi surpreendida com pedradas. "Vamos apurar as denúncias e instaurar um procedimento para verificar os fatos", promete.

Segundo o capitão, além do BO registrado em relação ao grupo, foram enviadas representações ao Ministério Público, à Prefeitura Municipal e à Vara da Infância e Juventude contra o organizador da festa. "Tinha menores no local e ele não tinha alvará de funcionamento", afirma Renato Ramos.