08 de julho de 2026
Internacional

Aumenta isolamento do regime sírio


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Damasco - O isolamento ao regime de Bashar Assad está cada vez maior. Ontem, seis países árabes expulsaram embaixadores sírios de suas Capitais, e quatro governos europeus convocaram seus representantes em Damasco.

Alheio à movimentação, o ditador sírio prometeu, mais uma vez, acabar com o banho de sangue que já matou mais de 5.400 pessoas na Síria em 11 meses, segundo a ONU. Desta vez, a "garantia" foi dada ao chanceler russo, Serguei Lavrov, em Damasco.

Rússia e China - que vetaram resolução contra a Síria no Conselho de Segurança no sábado passado- ainda acreditam no diálogo com Assad.

Lavrov disse ter recebido ontem a "confirmação" de que ele está disposto a seguir os pontos sugeridos pela Liga Árabe no primeiro acordo -libertação de presos políticos, retirada de tanques nas ruas e diálogo político. "Ele deu garantia de que está plenamente empenhado em acabar com a violência, não importa a sua origem", disse o russo.

A decisão de expulsar os embaixadores sírios foi tomada pelos países do Conselho de Cooperação do Golfo -Arábia Saudita, Omã, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein e Kuait. Em comunicado, o grupo denunciou o "massacre coletivo" cometido pelo regime.

Os governos de França, Itália, Espanha, Bélgica e Holanda chamaram de volta seus embaixadores -o que, na diplomacia, é um ato de repreensão ao outro governo.

O Reino Unido tinha tomado a mesma decisão na véspera, quando os EUA fecharam sua embaixada em Damasco.

A Turquia, que já foi uma importante aliada síria, anunciou que lançará uma "nova iniciativa com os países que apoiam o povo sírio, não o regime". Paris e Washington também defendem a formação de um "grupo de amigos" para dar suporte à oposição.

"A decisão do Conselho de Segurança (veto à resolução) é um fracasso para o mundo civilizado", disse o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan.

Para o Brasil, esse tipo de grupo só será legítimo se for abrangente e estiver sob o "guarda-chuva" do sistema das Nações Unidas. "Principalmente por ser um "grupo de amigos’, tem que ter gente dos dois lados. Tem que ver se, por exemplo, Rússia e China querem participar", disse à reportagem o enviado especial do Brasil para o Oriente Médio, Cesário Melantonio Neto.

O ministério do Interior sírio, porém, disse que continuaria com as "operações" contra "terroristas" em Homs. Ontem, segundo ativistas, 19 pessoas morreram na cidade, a segunda maior do país.