08 de julho de 2026
Turismo

Peru para jamais esquecer - Parte II


| Tempo de leitura: 4 min

Características do paísM

Danças e instrumentos do Peru: Graças a recentes descobrimentos arqueológicos de instrumentos musicais, se sabe que no Peru a música se remonta pelo menos a 10.000 anos de antiguidade. 

Dessa longa tradição provêm as "quenas", as "zampoñas", os "pututos" (trombetas de conchas marinhas) e uma grande variedade de instrumentos de vento em cuja fabricação são utilizados materiais como cana, barro, osso, cornos e metais preciosos, assim como diversos instrumentos de percussão.

Mediante o contato com o Ocidente tem sido incorporada grande quantidade de instrumentos, os mesmos que têm sido criativamente adaptados às necessidades rítmicas e tonais de cada região do país. As amostras mais evidentes são as numerosas transformações que têm operado na harpa, o violino e a viola na serra peruana.

O encontro do andino com o ocidental tem dado origem em Peru a mais de 1.300 gêneros musicais. Mas dois deles têm ultrapassado o âmbito regional e têm-se convertido em símbolos da identidade peruana: o huayno e a marinera.

Na atualidade continuam a assimilação de novos instrumentos - como sintetizadores, violas elétricas, baterias e harmônicas- e a criação de novos gêneros, como a "chicha" ou "cumbia" peruana, que permitem à música peruana novas influências nacional e internacionalmente, além do espaço reservado ao vernacular. 

Esta capacidade para a fusão e inovação musical exprime vivamente a força integradora e o caráter dinâmico da cultura peruana.

    
Arte popular: O artesanato peruano encontra-se entre os mais variados do mundo, como prova disso foi constituída uma ampla rede de exportadores que a cada ano expõe o trabalho dos peruanos nos mercados europeus, asiáticos e norte-americanos. Sua diversidade, as variedades de cores, criatividade e múltiplas funcionalidades fazem do artesanato uma atividade fundamental não só para a configuração da identidade peruana como também para a sobrevivência de milhares de famílias e ainda de povos inteiros, como Sarhua e Quinua, em Ayacucho. 

Pequenas e grandes peças que causam a admiração de peruanos e estrangeiros contêm séculos de história carregados de formas e também símbolos pré-colombianos que se misturam e convivem com outros gêneros trazidos pelos espanhóis. Essa identidade múltipla e complexa é uma das razões da marcada tendência do artesanato peruano ao moderno que impregna de ternura e inocente sabedoria suas peças.

A excelência dos ofícios artesanais no Peru manifesta-se, por exemplo, na harmonia dos desenhos geométricos dos tecidos, na minuciosa representação da vida camponesa nos "mates burilados", na mestiçagem cultural e no colorido dos "retábulos". Mas também na finíssima talha das pedras de Huamanga, o complexo barroquismo das talhas em madeira, a beleza das peças em ouro e prata e as diversas formas que toma o barro na cerâmica. 

Estas obras não são mais que algumas das manifestações de um povo que se comunica principalmente através da arte, utilizando para isso uma linguagem cujas chaves fundamentais são a abundância, a fertilidade e a aposta pelo futuro.

Gastronomia criativa

A comida peruana, tão pouco conhecida no Brasil, é extremamente criativa e saborosa. O carro-chefe é o ceviche, uma espécie de carpaccio de peixe. Basicamente, trata-se de um pescado de mar curtido no sal, na pimenta-do-reino e no limão - e que recebe cebola e pimenta fresca. Mas há ceviches de camarão, lula, frango, pato, sardinha, polvo...

O preparo básico é este: lavar os filés em água salgada, se possível gelada, e depois em água sem sal, para tirar a gosma do peixe; os filés devem ser secados cuidadosamente e cortados em tiras finas e pequenas. Deve ser usada uma faca afiadíssima, jamais uma serrada. Colocam-se as tiras num recipiente de cerâmica (nunca de metal) e acrescenta-se bastante suco de limão sal e pimenta-do-reino.

Espera-se uns minutos e repete-se a dose de limão, sal e pimenta. Depois, colocam-se rodelinhas de ají (pimenta pequena peruana) ou de pimenta-cereja, pimenta-bode ou mesmo dedo-de-moça, e cebola picada muito fininha, para o contraste visual. Alguns acrescentam alho amassado. Então, repete-se a dose de sal, pimenta-do-reino e limão. Por fim, pode-se espremer meia laranja ácida por cima. É preciso esperar por no mínimo uma hora até o peixe ficar esbranquiçado. Serve-se com alface, batatas cozidas e milho fervido.

Outra iguaria é a vieira, que anda rara e muito cara no Brasil. A peruana é pequena, firme e saborosa e costuma ser servida com bastante pimenta, cebola e alho. Outro prato muito saboroso é o cabrito assado acompanhado de mandioca fervida e feijão branco com pouco tomate. E há pratos mais exóticos, que o turista raramente arrisca, como o charqui, que é carne-seca de lhama acompanhada de salada.

Bebidas - A bebida típica é o pisco, feito de uvas, que fica muito bom gelado. O nome foi tirado da cidade onde a bebida foi feita pela primeira vez e que fica a 350 quilômetros de Lima.

Outra bebida muito popular é a chichá de milho, um tanto adocicada. Existe também a chichá de amendoim. As cervejas são uma grata surpresa: encorpadas, saborosas e com espuma firme. São melhores do que a maioria das brasileiras. O preço da lata ou meia garrafa começa em US$ 0,75. O da garrafa é a partir de pouco mais de US$ 1.