Repercute nesta sexta-feira, em mais um dia marcado por falta de água em bairros, matéria publicada pelo JC sobre uso de caminhão do DAE para limpeza em arquibancadas do Noroeste. Os comentários se concentram principalmente em redes sociais da Internet, com destaque para o Facebook.
Confira a matéria abaixo:
O Departamento de Água e Esgoto (DAE) fez jorrar alguns milhares de litros de água nas arquibancadas do estádio Alfredo de Castilho ontem. A "limpeza" do campo do Esporte Clube Noroeste foi realizada para atender a condição feita pelo clube para liberar o local para o sorteio do Minha Casa Minha Vida, programado para domingo. O ofício foi assinado pela coordenadora do grupo multissetorial, a vice-prefeita Estela Almagro (PT).
Apesar da solicitação, bauruenses que acompanharam a movimentação do caminhão pipa do DAE desde a manhã de ontem ligaram indignados para a redação do JC. Diversos bairros da cidade não contam com água para o consumo e, de outro lado, a maior parte dos estádios distritais utilizados pelas diferentes categorias do futebol amador não consegue irrigar o gramado para as competições.
Mas o que mais revoltou os moradores foi ver o caminhão pipa do DAE sendo abastecido para jorrar água na arquibancada. Neste caso, a água serviu para "empurrar" temporariamente a poeira para perto do alambrado, no nível do gramado. A Divisão de Serviços do DAE não soube informar quantos caminhões foram utilizados. Entre os servidores, a informação obtida foi de que próximo de 22 caminhões com 10 mil litros cada teriam sido despejados nas arquibancadas.
O diretor Francisco Volpi, em um primeiro momento, demonstrou indignação e alegou não ter tido conhecimento do serviço. Depois, retornou comentando que havia obtido do responsável pelo serviço de caminhão pipa, Agenor de Souza, a informação de que "não teria sido utilizada água potável para limpar a arquibancada do Estádio do Noroeste".
Volpi disse que solicitou relatório do responsável, a ser apresentado hoje, com informações detalhadas do serviço. "A princípio ele me disse que a água coletada não é potável, abastecida perto do Cemitério do Ypê", disse.
Informado de que a reportagem monitorou o caminhão, além de populares que ligaram prestando informações, o diretor alegou que as paradas no reservatório de água R5, perto do Hospital Manoel de Abreu, foi realizada para retirar resíduos que ficam no fundo. O curioso é que a diretoria tem conhecimento que a limpeza é feita na oficina e não com o uso de água de reservatório, o que também não parece sensato.
O fato é que o caminhão pipa estacionou próximo de uma área da arquibancada do estádio e um servidor se valeu do "jato d´água para limpar o assento de cimento". O caminhão ainda tentou conexão para receber água do hidrante instalado na quadra 9 da Rua Salvador Filardi, endereço onde, coincidentemente, bauruenses reclamavam da falta do produto para consumo nas casas. O hidrante não funcionou. O caminhão, então, parou, novamente, no reservatório R5, onde a direção do DAE informa que aconteceu "a lavagem do excesso no compartimento".