Salvador - Os PMs em greve deixaram ontem a Assembleia Legislativa da Bahia, invadida no dia 31 de janeiro. Marco Prisco, líder do movimento, foi preso (veja quadro).
Depois de uma reunião à tarde para analisar propostas do governo, os grevistas decidiram manter a paralisação.
Prisco e o policial Antonio Angelini, cujas prisões estavam decretadas, deixaram o local pelos fundos e foram e levados à Polícia do Exército.
Sitiados por forças federais desde a segunda, os PMs começaram a deixar o prédio às 6h30, em silêncio, horas após a divulgação, na TV Globo, de gravações telefônicas em que Prisco parece incentivar atos de vandalismo no Estado.
Na hora da rendição, cerca de 1.800 homens das forças federais cercavam o prédio. Grades metálicas foram instaladas e um corredor formado por policiais da Força Nacional de Segurança, Exército e Polícia Federal foi formado na entrada do prédio.
Após a saída dos 245 grevistas, o prédio foi tomado pelo Exército e pela Polícia Federal. Havia sujeira no interior da Assembleia, mas, segundo o Exército, as instalações foram preservadas.
A reportagem circulou por bairros e pelo centro de Salvador ontem e constatou que a falta de policiamento continua. Em São Caetano e na Liberdade, o comércio fechou as portas cedo. Uma onda de violência assola a Bahia desde o início da greve: já são 148 homicídios, número muito superior ao mesmo período de 2011.
Além da revogação da prisão de Prisco e de outros 11 líderes do movimento, os policiais reivindicam o pagamento, a partir de março, de uma gratificação acertada após o fim da greve de 2001, e a anistia administrativa dos manifestantes. O salário inicial de um PM baiano é R$ 2.173,87.
O governo aceita a gratificação, mas em novembro, e admite dar anistia a quem não cometeu crime comum. Sobre as prisões, diz não poder interferir em decisão judicial.
Dilma não aceita anistia
Brasília - A presidente Dilma Rousseff afirmou ser contra a concessão de anistia aos policiais grevistas na Bahia suspeitos de cometer crimes. “Por reivindicação, eu não acho que as pessoas têm de ser presas, nem de ser condenadas. Agora, por atos ilícitos, por crimes contra o patrimônio, contra as pessoas e a ordem pública não podem ser anistiados”, disse anteontem, durante viagem a Pernambuco.
A declaração foi dada em alusão ao áudio divulgado anteontem pelo “Jornal Nacional” em que líderes grevistas e políticos combinam estender ao Rio a paralisação, além de incentivar vandalismo.
“Fiquei estarrecida quando vi as gravações e sobre o fato de que há outros interesses envolvendo toda essa paralisação”, afirmou Dilma. “Eu não considero que aumento de homicídio na rua, queima de ônibus, entrada em ônibus encapuzado seja uma forma correta de conduzir o movimento.”
Em 2010 e 2011, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma anistiaram PMs e bombeiros que participaram de greves - mas não se envolveram em atos ilícitos.