09 de julho de 2026
Internacional

Grécia vive dia violento depois de pacote drástico de corte do governo

Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Atenas - Um dia após os principais partidos gregos aceitarem um pacote drástico de cortes para tentar satisfazer os credores internacionais, o país explodiu em revolta, crise política e recriminações.


Escolas, bancos, portos, órgãos governamentais e a rede de transporte de Atenas pararam. Cerca de 10 mil pessoas participaram de manifestações na praça Sintagma, em frente ao Parlamento. Houve conflitos com a polícia local, que usou bombas de gás lacrimogêneo em resposta às pedras e coquetéis molotov.


O acordo fechado anteontem, mas que ainda não foi aceito pelas autoridades da Europa e FMI, envolve, entre outras medidas, o corte de 22% no valor do salário mínimo, hoje de 751 euros (cerca de R$ 1.700,00), e demissões de funcionários públicos.


Com a turbulência nas ruas, o governo contabilizou cinco demissões no ministério e viu um partido de ultradireita, o LAOS, abandonar o compromisso de votar a favor das medidas. As Bolsas europeias caíram: Paris recuou 1,51%, Londres, 0,73% e Frankfurt, 1,41%.


A defecção do partido a princípio não põe em risco a aprovação do pacote pelo Parlamento, uma vez que a legenda tem apenas 16 deputados em 300 no total. Mas gera mais incerteza sobre o apetite político dos gregos em aceitar o que a chamada “troica” - FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia - exige para liberar pacote de 130 bilhões de euros.


Sem o dinheiro, restarão à Grécia dar calote em sua dívida - o que pode gerar efeito cascata em países como Itália e Espanha - e até abandonar a zona do euro.