|
Quioshi Goto |
|
|
|
Chuva refrescou o fim da tarde, ontem, mas gerou transtornos em alguns bairros da cidade, inclusive com alagamentos |
Aconteceu de tudo um pouco ontem. E pouco, de novo, foi abastecimento de água. Teve calorão, depois chuva. Falta de energia, queda de árvore. Haja versatilidade para se adaptar a tantas alterações e imprevistos.
Ainda com tempo firme, no Calçadão da Batista, o motorista e entregador Rinaldo dos Santos descarregava enorme encomenda de climatizadores, ventiladores e aparelhos de ar condicionado, adquirida por uma loja de eletrodomésticos da região central.
“Em cada loja, entrego cerca de 80 máquinas. A demanda é muito grande nesta época”, pontua. Nas sacolas carregadas pelas pessoas nas ruas, a afirmação podia ser facilmente confirmada. Ventiladores eram vendidos feito água.
Um dos compradores foi o auxiliar de serviços gerais José Vicente dos Santos, 48 anos. De uma só vez, decidiu levar dois aparelhos para casa. “Um para o meu quarto, outro para o quarto dos meninos”, diz ele, acompanhado dos filhos Dênis, 11 anos e Ezequiel, 4 anos.
Igual índio
O tempo escaldante também tirou o sossego da empregada doméstica Érika Cristina Venâncio Martins, 32 anos. Na tarde de ontem, ela saiu às ruas para pesquisar preços de climatizadores de ar, já que os ventiladores que tem em casa não estão dando conta de amenizar o desconforto na hora de dormir. “Não vejo a hora de o inverno chegar”, reclama.
Durante as compras, lançou mão da tradicional e refrescante estratégia para aplacar os 32,8 graus registrados às 16h de ontem. Comprou sorvete para ela e a filha Maria Clara, 3 anos, que a acompanhava na árdua empreitada. Já a dona de casa Simone Ribeiro Rodrigues, 26 anos, deixou o filho Lukas, 5 meses, vestido apenas com o estritamente necessário: fralda e boné.
“Tento dar bastante banho e deixá-lo sem roupa, igual a um indiozinho. Uma pena que a gente não possa fazer o mesmo”, brinca. O marido, o operador de empilhadeira Eduardo Rodrigues, 30 anos, afirma preferir o verão, mas confessa que, depois de tantos dias quentes, já se sente cansado para o trabalho. “Calor a semana inteira desgasta bastante. O problema é que, sempre quando chega o fim de semana, chove”, argumenta.
Vem chuva
De fato, a previsão é de chuva para este fim de semana. Após 14 dias sem precipitações significativas, Bauru teve uma pequena trégua do tempo seco e quente, na noite de ontem. A chuva rápida que atingiu a cidade – de 18,3 milímetros – reduziu a temperatura para 20 graus, às 20h. Desde o início doa semana, os patamares mais baixos oscilaram entre 21,3 e 22,3 graus, durante a madrugada.
Na tarde da última quinta-feira, os termômetros marcaram 36,3 graus, a segunda temperatura mais alta registrada pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 12 anos, atrás apenas dos 36,7 graus computados em outubro de 2007.
Para hoje, a expectativa do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTec/Inpe) é de que as temperaturas variem entre 19 e 32 graus. O céu deve permanecer aberto, com possibilidade de ocorrência de chuvas de curta duração e trovoadas a qualquer hora do dia. Amanhã, os termômetros oscilam entre 18 e 33 graus, também com previsão de chuva.
E teve estrago
Segundo o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, pelo menos duas árvores caíram em decorrência da chuva, uma na rua Ângelo Tamarozzi, na Vila Independência, e outra na rua Antônio Gasparini, no Jardim Ferraz. Apesar de não ter ferido ninguém, a segunda árvore teria atingido e derrubado o muro da Escola Municipal de Ensino Infantil (EMEI) Antônio Guedes de Azevedo.
Além destes transtornos, também foram registrados alguns pontos de alagamento pela cidade, como na rotatória da Avenida Castelo Branco e também nas primeiras quadras da avenida Alfredo Maia e da rua Wenceslau Brás.
Luz
Em meio ao tempo fechado, acabou a energia em algumas regiões, como na Vila Falcão, Vila Independência, Jardim Solange e na Vila São Francisco. De acordo com o serviço de informações da CPFL, o serviço seria totalmente regularizado por volta das 22h.