11 de julho de 2026
Política

64 empresas estão na fila por áreas

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Não é novidade a informação de que o desenvolvimento econômico de Bauru passa por entraves com a ausência de áreas nos Distritos Industriais e o alto custo das glebas particulares sem restrições ambientais. O secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, afirma que o número de empresas que protocolizaram pedidos e aguardam por áreas em distritos chega a 64.

O número dobrou no intervalo de tempo de um semestre. Em reportagem publicada pelo Jornal da Cidade em junho de 2011, a fila era de 30 indústrias que queriam se instalar ou se expandir nos distritos, mas não conseguiam pela escassez de áreas. A espera das empresas por concessões de áreas em distritos industriais começou no final de 2010.

Segundo Ferrari, agora, os distritos já alcançaram a ocupação limite e a instalação de novas empresas fica restrita a eventuais casos de retomadas de áreas por desistência ou não cumprimento dos prazos estabelecidos em lei por parte de indústrias que já estão no local. "O ritmo de concessões já vinha reduzido e, a partir de agora, elas vão deixar de acontecer", pontua.

O número de pedidos não significa que todas as 64 empresas estão aptas para receberem a concessão de uso de uma área distrital. O secretário Paulo Ferrari, que acumula a presidência do Conselho de Apoio ao Desenvolvimento Municipal (Cadem), ressalta que a documentação e a saúde financeira das indústrias são analisadas pelo órgão apenas quando há disponibilidade de lote.

O titular da pasta explica que uma análise qualitativa, considerando também critérios como a geração de empregos, é feita pelo Cadem para que a concessão de direito real de uso das áreas seja aprovada pela Câmara Municipal. A partir do aval do Legislativo, as empresas têm 90 dias para dar início às obras no local e dois anos para apresentar o habite-se da Secretaria municipal do Planejamento.

No ano passado, o vereador José Roberto Segalla (DEM) questionou os critérios adotados para a concessão de áreas a empreendedores, especialmente diante do cenário de escassez de lotes. Ferrari admite que os critérios são subjetivos, mas técnicos. "Levamos em consideração a geração de empregos, mas, no ano passado, concedemos áreas a duas empresas ambientais, que não contratam muitas pessoas, mas dão suporte para o tratamento dos resíduos das outras indústrias que estão instaladas na cidade", observa.

Governo aposta em lotes urbanizados

Com dificuldade de comprar novas áreas para a instalação de um novo distrito industrial, o secretário Paulo Ferrari aposta na viabilização dos lotes urbanizados, localizados atrás do Mary Dota. "Apesar da fila, insistimos para que as indústrias façam o pedido de área porque estamos muito confiantes em uma breve solução para a criação do Distrito 4", pontua.

Ele afirma que parte da área, que totaliza um milhão de metros quadrados, já conta com infraestrutura urbana, como galerias e pavimentação. "Existe uma parcela da área que está comprometida para a construção de moradias populares. No entanto, teríamos cerca de 200 mil metros quadrados já prontos para a instalação de empresas. Dependemos apenas da liberação judicial para a ocupação da área, que enfrenta pendências ainda do governo Antônio Izzo Filho. No entanto, o jurídico da prefeitura já fez este pedido", afirma o secretário.

Há o entendimento, porém, de que as obras de urbanização já realizadas em parte dos lotes precisariam ser refeitas. A outra etapa da área ainda não foi sequer loteada. A administração precisa também alterar o zoneamento do local para permitir a ocupação industrial.

Perfil diversificado

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Paulo Ferrari, enfatiza a diversificação no perfil das empresas que estão instaladas nos três distritos industriais de Bauru. Além de indústrias, prestadoras de serviço e comércios atacadistas também são permitidos nessas áreas. "Essa é uma característica muito positiva, pois, em casos de crise de um determinado setor, não são todos os afetados", avalia.

Entre os ramos que mais se destacam, estão as indústrias de plástico, bateria, química, mecânica, alimentícia e moveleira. "Este último quase não é percebido, mas tem crescido muito, junto com a indústria concreteira em razão da explosão da construção civil", afirma Ferrari. Na prestação de serviços, constata-se o grande número de transportadoras nos distritos industriais.

Segundo o secretário, a tendência de diversificação nos ramos das empresas se mantém entre as 64 que aguardam áreas distritais. Um ponto em comum entre a maioria delas, porém, é o porte médio. "Boa parte faz pedido de áreas entre 5 mil e 10 mil metros quadrados", pontua.

Paulo explica que a procura de pequenas empresas é baixa, em razão da localização distante dos distritos, o que aumentaria os gastos de transporte para um pequeno volume de mercadorias. "Já as grandes preferem comprar áreas e não depender do poder público. No caso das concessões, as empresas não podem vender ou locar os imóveis sem autorização da prefeitura pelo período de 10 anos", explica.

O Distrito Industrial 1 tem 1,2 milhão de metros quadrados e 101 empresas. O Distrito II, 409 mil metros quadrados e 39 empresas. Já o terceiro, 433 mil metros quadrados e 35 empresas.