10 de julho de 2026
Nacional

Rio está pronto para enfrentar eventual greve, diz comandante dos Bombeiros


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Rio de Janeiro - O secretário estadual de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros do Rio, Sérgio Simões, disse anteontem que 14 mil homens do Exército e 300 soldados da Força Nacional de Segurança estão mobilizados para atuar no Estado substituindo policiais e bombeiros em greve.


A decisão foi tomada durante reunião no Comando Militar do Leste. “Greve é inegociável”, afirmou Simões. Ele disse acreditar que a paralisação terá porcentual mínimo de participação. “Mas meu dever profissional é imaginar o pior cenário”, disse.


Simões já determinou que cerca de 2.000 bombeiros que atuam em funções administrativas e 700 que frequentam cursos de formação e especialização fiquem de prontidão para eventual convocação.


“Eu não diria que é oportunismo, eu diria que é uma covardia, é inaceitável, é leviano”, afirmou o comandante, referindo-se à ameaça de greve da categoria a apenas oito dias do Carnaval, festa que atrai muitos turistas ao Rio.


Simões também comentou eventuais interesses políticos por trás da paralisação. “Isso surpreende, estarrece, indigna, porque nós estamos aqui cuidando da corporação e vamos nos dar conta de que o que se discute não é melhoria de vencimentos, na verdade (a ameaça de greve) tem interesses que não estão claros. Qual é o verdadeiro objetivo de uma articulação nacional? O que está por trás disso? Eu ainda não sei responder. Se houver (interesse político), vou lamentar muito”.


Simões disse que o cabo Benevenuto Daciolo pode ser expulso da corporação. Ele foi preso sob acusação de cometer incitamento e aliciamento a motim, dois crimes previstos no Código Penal Militar. “É uma possibilidade que se abra rito administrativo para avaliar as condições de permanência dele (Daciolo) na corporação”, afirmou.


O cabo está preso preventivamente, por decisão da Justiça Militar anunciada anteontem à noite. Antes ele estava preso administrativamente, por 72 horas. Simões negou que haja interesse especial do governo estadual em punir Daciolo ou qualquer outro líder da greve promovida pelos bombeiros em 2011.


“Não há nenhum ânimo do governo do Estado muito menos do comando da corporação de criar nenhum confronto, nenhum sentimento de caça às bruxas”, disse. O comandante dos bombeiros admitiu que “é uma situação de constrangimento para mim prender um colega”.