10 de julho de 2026
Nacional

Milionário mira público brasileiro

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Punta del Este - Filho do criador do Museo de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (Malba) e mecenas de produções cinematográficas brasileiras, o jovem milionário argentino Eduardo Costantini Júnior, 36 anos, aposta agora no mercado imobiliário de alto padrão e mira o público brasileiro.


Seguindo os passos do pai, que criou condomínios do tamanho de pequenas cidades no Uruguai e na Argentina, Costantini Jr. se prepara para abrir as portas de um novo empreendimento, o Las Cárcavas (nome de cavidades naturais causadas pela erosão).


Trata-se de um conjunto de lotes perto da praia, a 20 minutos de Jose Ignacio, point chique de verão da badalada costa uruguaia. O valor dos terrenos varia de US$ 400 mil a US$ 2 milhões (R$ 690 mil a R$ 3,5 milhões).


A praia, antes conhecida só por um público alternativo, atualmente reúne famosos. Ali viveu, por alguns anos, o escritor britânico Martin Amis, com a mulher uruguaia e os filhos. Hoje, quem tem casa lá é a cantora colombiana Shakira, a maior estrela do pop latino-americano.


É nesse público seletivo, que tomou conta de Punta del Este e arredores, que Costantini Jr. está de olho. “Venho para cá desde criança e acompanho as transformações. Antes, era um balneário argentino; agora é internacional, há muitos brasileiros”, diz à reportagem o empresário, mecenas de filmes como “Tropa de Elite” e “Lula - O Filho do Brasil”.




Veia artística


Costantini Jr. quer tentar pegar carona na crescente procura do público brasileiro por negócios e propriedades em Punta del Este, mas não quer abrir mão de suas veleidades artísticas. O Las Cárcavas terá um cinema, um centro cultural e promoverá lançamentos e debates sobre novas obras.


Apostar no mercado imobiliário, diz ele, é uma forma de bancar seus sonhos com relação ao cinema. “Para seguir nessa indústria, é preciso dinheiro. Minha família já tem tradição na área de construção. Continuo o projeto de família para viabilizar outro, pessoal.”


O próximo filme no qual está envolvido será a nova produção dirigida por Sofia Coppola (“Lost in Translation”). Ele diz que sua parceria com o diretor brasileiro José Padilha (“Tropa de Elite”) foi boa, mas não esconde o ressentimento de ter sido deixado de fora da segunda parte. “Como não havia acordo por escrito, ele achou que não precisava mais e fez sem mim”, diz Costantini Jr.


Evitou falar mal do filme, mas deixa claro que não achou a sequência tão impactante como o primeiro, no qual pôs US$ 2 milhões quando o projeto estava no papel. Após o sucesso de “Tropa 1”, que ganhou o Urso de Ouro em Berlim, o empresário não repetiu o feito em “Lula”, fracasso de bilheteria. E seus sonhos de trabalhar com mais frequência com a Globo, a Conspiração e a Videofilmes não foram adiante.


Costantini Jr. ainda mantém uma cinemateca online, a Mubi (www.mubi.com), com escritórios em Buenos Aires, Londres e Paris. Criada em 2008, já conta com mais de 4.000 filmes e privilegia o cinema de arte, com novidades de festivais e títulos de David Lynch, Gus Van Sant, Alexander Sokurov e outros.


O empresário é contra a pirataria e crê que sites como o Mubi são a vanguarda no modo como o cinema será distribuído no futuro. “Procuro usar nela a experiência que adquiri nos anos em que trabalhei no Malba, fundando e cuidando da programação da cinemateca do museu”, diz.