Um enxame de abelhas matou a picadas três cachorros em uma residência do Vale do Igapó anteontem. Carmem Maria de Oliveira, 64 anos, conseguiu escapar das abelhas após receber várias ferroadas dos insetos.
Dois cães, “Tampinha” e “Chaveirinho”, não resistiram e morreram ainda no sábado. Ruela, um mestiço boxer, por ter um porte maior, resistiu um pouco mais de tempo e foi medicado por um médico veterinário. No entanto, o animal morreu na manhã de ontem. “O que aconteceu com os cachorros era para acontecer comigo. Foi por pouco que eu não ter morrido também”, chora a mulher ao lado de Ruela.
As abelhas, identificadas como da espécie Europa, “caçaram” os animais e a mulher. No quintal, na parte detrás da casa, os insetos formaram uma colmeia dentro de uma caixa de som. Na semana passada, a moradora percebeu a colmeia instalada. “Eu e minha vizinha já havíamos ligado, mas os Bombeiros não vieram”, justifica.
Dona Carmem fez uma cova e enterrou “Tampinha” e “Chaveirinho” em um terreno baldio próximo de sua residência. O sentimento da moradora era um misto de dor e abandono diante da morte dos animais que, mais do que de estimação, eram companhia. Dona Carmem reside sozinha há três anos, desde a morte de seu marido Luiz Vidal de Almeida. Ela mora na quadra 2 da alameda Tero, há cerca de 30 anos, quando começou a ocupação do Igapó.
Dona Carmem e os vizinhos estão inconformados porque os Bombeiros foram acionados por volta das 8h30 do sábado e informaram contatos de apicultores para a remoção da colmeia, seguindo uma resolução federal de proteção dos insetos contra extermínio.
Dona Carmem explica que os apicultores queriam cobrar para a retirada da colmeia e ela não possuía o dinheiro. As abelhas ficaram agressivas e atacaram o que viram no quintal. Uma vizinha da moradora conta que os cachorros ainda tentaram se abrigar, porém já era tarde.
Apenas por volta das 17h30, depois que a situação de perigo causada pelas abelhas ficou comprovada que o corpo de bombeiros compareceu ao local e pode tomar uma atitude.
Crime ambiental
É crime ambiental exterminar as abelhas. Há um procedimento até que se chegue a uma situação extrema de extermínio de abelhas. Ainda que a realidade seja outra, o Corpo de Bombeiros está impedido de exterminar os insetos antes que sejam adotadas providências, como prevê uma resolução federal.
O comandante do 12º Grupamenlto de Bombeiros em Bauru, o tenente-coronel PM José Guerxis de Aguiar, explicou, ontem que somente quando as abelhas demonstram agressividade é que se recorre ao extermínio, respaldado na resolução. De acordo com o tenente-coronel, o procedimento adotado pelo Corpo de Bombeiros é, primeiro, informar o contato de apicultores que deveriam se prontificar à retirada da colmeia sem custo. Quando há recusa, Aguiar comenta que os Bombeiros agendam a visita para o período da noite, quando as abelhas estão calmas. O procedimento de praxe é expulsar os insetos com uso de substâncias como detergente diluído. Em situação de extermínio, se usa o fogo, como ocorreu na residência de dona Carmem.