09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

População de atum diminui 60% nos últimos 50 anos


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As populações de atuns e de espécies similares diminuíram 60% em todo o mundo no último meio século. O trabalho agora publicado na "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS) adianta que estas espécies têm sido exploradas quase até ao limite da sua sustentabilidade.

As espécies mais afetadas são os atuns de águas frias ? como o atum-rabilho (Thunnus thynnus), de alto valor comercial ? que diminuíram até 80%. A cavala viu também a sua população reduzida.

A pesquisadora da Universidade da Corunha (Espanha) María José Juan-Jordá, autora principal do estudo, explica que esta investigação baseou-se nas estimativas de abundância das espécies. Apesar de as conclusões mostrarem um decréscimo acentuado das espécies estudadas, acaba por ser mais otimistas do que estudos anteriores.

Em 2003, a revista "Nature" tinha publicado um artigo que concluía que a abundância de peixes pelágicos, principalmente atuns, tinha diminuído 90% nos últimos 50 anos.

Apesar do estudo recente não ter uma conclusão tão pessimista, a pesquisadora considera que existem fatores preocupantes que os organismos regionais de gestão pesqueira deviam resolver com urgência para assegurarem um futuro sustentável na pesca a estas espécies.

As populações de maior valor comercial são as mais sobre-exploradas, existindo ainda muita pesca ilegal que ultrapassa o controle das gestões pesqueiras, indica o pesquisador Nicholas Dulvy, da Universidade Simon Fraser (Canadá), também envolvida neste trabalho.

Fraser considera também que os organismos de gestão não devem utilizar os seus recursos apenas para gerir as espécies de alto valor econômico, mas também as que têm menos valor no mercado, mas que são muito importantes para os países em vias de desenvolvimento.

Juan Freire, professor da Universidade da Corunha, outro dos autores do trabalho, acredita que são necessários compromissos sérios e ações efetivas para reduzir o excesso de pesca, recuperar as populações sobre-exploradas e regular o comércio que as põe em perigo.

Fonte: Ciência Hoje