10 de julho de 2026
Regional

Polícia indicia servidores por peculato

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina – Dois ex-funcionários, que exerciam cargo em comissão na Câmara de Bocaina (69 quilômetros de Bauru), foram indiciados pela Polícia Civil por peculato. Em dezembro de 2

1

, eles teriam descontado cheque no valor de R$ 1.793,53, que deveria ter sido depositado no Banco do Brasil. Posteriormente, o dinheiro – referente às parcelas de empréstimos de funcionários e vereadores – foi depositado na conta do Legislativo, que não teve prejuízos (leia mais abaixo).

 

De acordo com o delegado Edmundo Ciro Vidal, assistente da Delegacia Seccional de Jaú e responsável pelo inquérito, as investigações apontaram que, no dia 13 de dezembro de 2

1

, a Câmara de Bocaina, presidida por Luiz Augusto Giraldi da Silva (DEM), emitiu cheque para pagar parcelas de janeiro de empréstimos bancários feitos por servidores e parlamentares. 

 

No dia 17, o cheque foi descontado em um dos caixas da agência por um ex-assessor de gabinete da Casa, que não teve o nome divulgado. “Esse foi um cheque que chamou a atenção porque não era normal cheque ser nominal à própria Câmara Municipal”, conta. Em 2

11, houve mudança na presidência do Legislativo e o desvio foi descoberto.

 

O delegado diz que, no dia 12 de janeiro de 2

11, a ex-diretora financeira da Câmara, que também não teve a identidade revelada, pediu para que o presidente José Carlos Tirolo Júnior (PV) assinasse novo cheque, no valor de R$ 1.793,53, que, segundo ela, seria utilizado para quitar as parcelas de janeiro dos empréstimos consignados.

 

“Aquela parcela do mês de janeiro ficou em aberto. Ele achou estranho e foi confirmar com a contadora da Casa antes de assinar”, explica.  No mesmo dia, foi feito depósito na conta da Câmara, em dinheiro, no valor de R$ 1.79

,

. “O inquérito apurou que quem descontou o cheque foi um funcionário (o ex-assessor de gabinete) e quem depositou o dinheiro foi uma funcionária (a ex-diretora financeira)”, declara.

 

Segundo Vidal, os dois ex-servidores, que foram exonerados logo após a mudança na presidência, foram indiciados pelo crime de peculato (quando um funcionário público se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem de que tem a posse em razão do cargo ou o desvia em proveito próprio ou alheio). A pena, nesses casos, varia de 2 a 12 anos de prisão.

 

O inquérito já foi concluído e remetido ao Judiciário de Jaú. “Embora ele tenha negado que descontou o cheque e ela tenha negado que depositou esse dinheiro na conta da Câmara Municipal, eles foram reconhecidos por funcionários do banco e eram eles que faziam toda essa tramitação de documentos e cheques da Câmara”, ressalta.

 

 

 

Sindicância

 

Após descoberta do desconto indevido do cheque e posterior depósito em dinheiro na conta da Câmara de Bocaina, a Casa instaurou sindicância interna para apurar o caso. As investigações apontaram que os dois ex-funcionários haviam sido os responsáveis pelo desvio. Eles chegaram a ser convocados pelo Legislativo para depor, mas não atenderam às intimações.

 

Relatório da sindicância foi remetido ao Ministério Público (MP), que encaminhou o caso à Delegacia Seccional de Polícia de Jaú para a instauração de inquérito visando apurar eventual crime. Com a conclusão dos trabalhos, toda a documentação será enviada ao MP para que os responsáveis sejam punidos também na esfera civil.

 

A reportagem entrou em contato com o presidente da Câmara, mas foi informada de que ele estava viajando.