Se o ano letivo acabou de começar e ainda é impossível saber quais alunos serão, ou não, aprovados em todas as disciplinas, em outro aspecto pais não têm mais dúvidas: algumas escolas estaduais e municipais e seus entornos em Bauru já foram “reprovadas” por não apresentar condições adequadas ao aprendizado.
As reclamações variam desde mato alto com incidência de formigas a ruas esburacadas que dificultam o acesso. Alguns pais também procuraram o Jornal da Cidade para relatar a falta de material escolar e quantidade insuficiente de funcionário e professores.
“É lamentável ver como a Escola Estadual Pousada da Esperança foi entregue à comunidade. Falta de funcionário até professores, não servem merenda porque a cozinha não está pronta, as crianças passam calor porque não tem ventiladores nas salas”, conta, indignada, a auxiliar de costura Regina Célia Domingues, 39 anos. “Pergunta se as crianças têm acesso a computadores ou mesmo se alguma linha telefônica já foi instalada lá?”, ressalta. “Quando está sol, as crianças nem enxergam lousa por falta de cortina. E sofrem sem ventilação”.
Outra mãe que tem três filhos matriculados na mesma escola relatou ao JC que, por conta da quantidade reduzida de funcionários, a direção da escola pediu que os pais se voluntariassem. “Nas oportunidades que deu, fui lá e ajudei. Outros pais também se dispuseram a colaborar para tentar manter alguma organização”, afirma a dona de casa Maria Aparecida Carlos, 41 anos. “Pra ser honesta, acho que seria melhor se tivessem atrasado as aulas, que poderiam ser repostas depois, do que colocar as crianças pra estudar desse jeito”, completa.
Procurada, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que o processo para atribuição de aulas ainda não foi finalizado e que a Diretoria Regional de Ensino de Bauru está à frente de um novo processo de escolha de aulas. “Vale destacar que a pasta conta com professores eventuais, que cobrem as aulas que ainda serão atribuídas ou períodos de licenças de até 15 dias. Além disso, se necessário, o conteúdo é reposto de acordo com o calendário escolar”, afirma, através de sua assessoria.
Quanto à falta de funcionários, a secretaria garantiu que mais quatros agentes serão chamados. “Também na próxima semana será regularizada a distribuição dos materiais escolares”, prometeu a secretaria.
Fique sabendo
Bauru tem 54 escolas estaduais com cerca de 37 mil alunos. Já a rede municipal tem 22 mil alunos matriculados. Desses, 9
42 são do ensino infantil, 2858 de creches conveniadas, 8892 do ensino fundamental e 11
do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja).
A rede municipal conta, ainda, com 61 unidades de ensino infantil, 28 creches, 16 escolas de ensino fundamental e 54 salas do Ceja.
Materiais são desafio à parte na rede municipal
Outro problema que ainda não foi solucionado, nesse caso pela administração municipal, é distribuição dos kits de material escolar.
As crianças ainda não puderam contar com o material tradicionalmente entregue pela Prefeitura de Bauru no começo das aulas.
Para efeito de comparação, em 2
11 a distribuição foi realizada na terceira semana de janeiro, antes do início das atividades escolares. “O almoxarifado já recebeu parte dos materiais e o início da entrega, ponto a ponto, deve ser iniciada nos próximos dias”, afirmou, em nota, a prefeitura.
Tem mato alto, ‘formigonas’ e isolamento
“Meu filho de três anos está matriculado na Emei Márcia de Almeida Bighetti, no Mary Dota, mas o mato na escola está tão alto que as crianças não podem nem brincar no parquinho”, reclama a dona de casa Viviane Aparecida Graciano Tartari, 34 anos.
“Além disso, a falta de capina no local também facilitou o aparecimento de formigas – e são daquelas formigonas, com uma picada bem doída”, reclama. Ainda segundo Viviane, nos últimos dias a Emei também estava com problemas em suas linhas telefônicas, “deixando o local incomunicável”.
Procurada, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou a Emei Marcia Bighetti foi capinada no final do ano e que uma equipe da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) deve efetuar o serviço novamente. Além disso, a dedetização do local, o serviço já foi programado pela empresa vencedora da licitação.
Quando a escola é boa, acesso gera crítica
Para os alunos que estão matriculados na Escola Municipal de Ensino Infantil Integral (Emeii) Luzia Therezinha de Oliveira Braga (creche), no Parque Real, a reclamação não é sobre a unidade escolar, entregue ampliada e reformada, mas sim a forma de chegar até ela.
“Eu moro na quadra 1 da alameda Cafelândia, que dá acesso para a lateral da Emeii. Mas, por incrível que pareça, nós não conseguimos andar essa única quadra e chegar até lá por causa do lama”, afirma a auxiliar administrativa Rosângela Batista, 34 anos. “Depois da reforma, reinauguraram uma creche ótima, mas o entorno continua um horror. É puro barro, parece um brejo”, queixa-se.
Sobre essa contestação, a assessoria de imprensa do município afirmou que a unidade inaugurada na última sexta-feira tem acesso pavimentado e sinalizado na frente da escola e que “as ruas laterais receberam a moto niveladora”.