Se antes era por falta de interessados ou de aprovados, agora é pela existência de relação de parentesco entre concorrentes e membros da banca que mais um concurso para médicos da Prefeitura de Bauru fracassa. Um dos 18 aprovados na prova realizada em dezembro do ano passado é sobrinho de um dos médicos examinadores. A decisão definitiva foi publicada ontem no Diário Oficial de Bauru (DOB).
A diretora de Recursos Humanos da Secretaria municipal da Administração, Sandra Maquizi Pirola Bezerra, explicou que a relação de parentesco foi identificada pelo setor antes da divulgação do resultado do concurso. “Examinamos os aprovados e verificamos que havia a coincidência entre os sobrenomes de um deles e um membro da banca”, pontuou.
O médico Nelson Sebastião Miranda foi então chamado e confirmou que o candidato Luiz Guilherme Povoa Miranda, classificado em 17º lugar, é seu sobrinho. O membro da banca explicou que não tinha contato com o sobrinho, que é filho de seu irmão. “Não houve qualquer indício de favorecimento. No entanto, a preservação da lisura do concurso exige a anulação”, afirmou Sandra.
O servidor vai responder a processo administrativo em função do acontecimento. Isso porque todos os membros de bancas de concursos municipais assinam documento em que se comprometem a não permanecerem no posto caso haja relação de parentesco com candidatos.
O secretário municipal da Administração, Richard Vendramini, ressalta que a relação de candidatos é de conhecimento da banca e da sociedade, pois é publicado no DOB. No concurso público em questão, foram 32 inscritos, sendo que 22 compareceram para a realização da prova e 18 considerados aptos.
Até a próxima semana, um novo edital será publicado para a convocação de outro concurso para o cargo de médico clínico. Segundo Sandra Bezerra, os candidatos que participaram do primeiro concurso não terão que pagar taxa de inscrição. Já aqueles que desistirem não receberão o dinheiro desembolsado de volta. Um dos itens do edital previa que o ressarcimento de candidatos não aconteceria sobre qualquer hipótese.
Urgência e emergência precisam de 74 médicos
Enquanto um concurso para médicos clínicos com 18 aprovados é anulado por relação de parentesco, somente a rede de urgência e emergência do município necessita contratar mais 74 médicos. O número tem como meta o preenchimento de toda a escala, o que permitiria extinguir a remuneração por plantões extras.
Atualmente, a administração paga R$ 1.2
,
por cada plantão. A sistemática tem sido o “remédio” para preencher lacunas na escala. Mas ela cria distorções na distribuição da despesa com folha de pagamento.
O secretário municipal da Saúde, Fernando Monti, diz lamentar o episódio de mais um concurso fracassado e afirma que todos os aprovados deveriam ser chamados, pois a demanda é de 25 clínicos para o atendimento no Pronto-Socorro Central (PSC), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), além das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do Mary Dota e Bela Vista.
Com a inauguração das próximas duas UPAs – do Ipiranga e do Geisel/Redentor – a rede vai precisar de outros 35 médicos. “Isso é, na verdade, uma estimativa, pois com o funcionamento de mais essas duas unidades, vai haver uma redução na demanda do PSC. Dessa forma, poderemos fazer um remanejo das equipes”, ponderou Monti.
O secretário diz ainda que está programada uma reforma no PSC após a inauguração da UPA do Ipiranga. A expectativa é de que isso aconteça entre os meses de abril e maio. Já a unidade do Geisel/Redentor deve ser entregue no início do segundo semestre.
Atualmente 1
dos 2
médicos da rede atuam na rede de urgência e emergência. Fernando Monti diz que não existem problemas nas escalas, que são suportadas pelos plantões extras.
Atendimento infantil
As demais 14 contratações necessárias para a rede de urgência e emergência são de pediatras, sendo seis para o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e oito para o início de atendimento infantil na UPA do Bela Vista.
Nas demais UPAs, não há previsão de contratação de pediatras. No entanto, Fernando Monti afirma que a secretaria trabalha na elaboração de um projeto para permitir que os médicos clínicos possam assumir o atendimento a crianças nessas unidades. “Todo médico pode fazer qualquer procedimento. É necessário apenas regulamentar”, explica.