Genebra - A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu ontem uma investigação independente sobre o incêndio numa prisão que matou centenas de pessoas em Honduras e denunciou o que chamou de onda de violência nas prisões da América Latina alimentada pelas condições precárias e pela superlotação.
Sobreviventes do incêndio que matou mais de 35
presos na prisão de Comayagua na noite de terça-feira acusaram os guardas de deixarem os detentos morrerem nas celas e de atirarem em outros que tentavam escapar das chamas.
A agência da ONU para os direitos humanos “apoia integralmente o estabelecimento de uma investigação independente completa sobre os casos de incêndio e sobre se as condições na prisão contribuíram para a enorme perda de vidas”, disse num briefing Rupert Colville, porta-voz da alta comissária da ONU para os direitos humanos, Navi Pillay.
Colville observou que a prisão foi projetada para abrigar 25
presos, mas mantinha mais de 8
no momento do incêndio. Ele pediu que as autoridades hondurenhas divulguem informações às famílias das vítimas “sem mais nenhuma demora”.
Esse foi o terceiro caso de incêndio numa prisão em Honduras com um alto número de fatalidades numa década. Em 2
4, 1
7 presos morreram em San Pedro Sula, afirmou ele.
Os problemas, porém, são disseminados pela região onde as prisões em geral abrigam de 3
por cento a 1
por cento mais prisioneiros do que têm capacidade, afirmou ele. O porta-voz disse que nas últimas semanas a onda de violência nas prisões causou mortes em países como Uruguai, Argentina, Venezuela e Chile.
No Brasil, o vídeo de uma presa algemada que tinha acabado de dar à luz voltou a chamar atenção sobre o uso de algemas durante e após o parto em São Paulo. As acusações foram negadas pelas autoridades, de acordo com Colville. A mulher era mantida em prisão preventiva acusada de furto.
No Chile, neste mês, um surto de um tipo de febre hemorrágica disseminada por ratos matou dois presos e deixou vários outros doentes na prisão de El Manzano, afirmou ele. No mês passado, uma rebelião na prisão de Talagante, perto de Santiago, aconteceu depois que um guarda matou a tiros um detento que tentava fugir.