A liberação dos corpos das 359 vítimas do incêndio desta semana em uma penitenciária hondurenha prossegue em ritmo lento nesta sexta-feira, enquanto se intensificam as críticas pela grave superlotação do sistema penitenciário.
No pequeno necrotério de Tegucigalpa e com auxílio de especialistas estrangeiros, os legistas liberaram por enquanto apenas 12 dos 16 cadáveres identificados até a tarde desta sexta-feira, enquanto aumentava o forte odor de outros corpos.
Centenas de familiares que esperam a liberação dos corpos foram transferidos para um acampamento a quatro quilômetros do necrotério, que está cercado por barreiras metálicas. Melvin Duarte, porta-voz do Ministério Público, disse à Reuters que uma área da Faculdade de Medicina está sendo preparada para receber mais 16 mesas para as autópsias.
"Estou desesperada porque aqui não nos dão nenhuma informação, apenas no pedem para esperar, pois vão nos chamar", disse Damari Cáceres, de 25 anos, quem perdeu dois irmãos no incêndio, um dos piores ocorridos dentro de uma prisão na América Latina.
Sobreviventes do incêndio de terça-feira na Penitenciária Nacional de Comayagua, 75 quilômetros ao norte de Tegucigalpa, disseram que os guardas ignoraram os apelos dos presos para serem soltos das celas em chamas, e que atiraram em alguns que iam conseguindo escapar.
Autoridades disseram que, temendo uma fuga em massa, os policiais demoraram meia hora para abrir a prisão. Legistas do Chile, México e El Salvador participam do trabalho de identificação dos corpos, e especialistas norte-americanos trabalham em Comayagua na investigação sobre as causas e origem do incêndio, disse Duarte.
As hipóteses incluem um possível curto-circuito, ou que um preso tenha ateado fogo a um colchão. A penitenciária, com capacidade para 400 presos, abrigava mais de 800, situação que se repete em outras prisões hondurenhas, país que registra o maior índice mundial de homicídios.
A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta sexta-feira uma investigação independente sobre o incêndio, e disse haver na América Latina uma onda de violência carcerária provocada pelas más condições e pela superlotação.