08 de julho de 2026
Geral

Os hinos que ?cantam? nossa cidade

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Ao menos uma vez por semana as crianças das escolas municipais de Bauru se reúnem para cantar o Hino Nacional Brasileiro, o que é comum em praticamente todas as escolas do Estado de São Paulo. A diferença está na apresentação de uma outra canção, não conhecida por todos, mas importante para a história da cidade: “O Hino a Bauru”, de autoria do ferroviário já falecido, Manoel Domingos de Oliveira. Você conhece a letra e a melodia do hino municipal?

 

Regina Maria Almeida Pacheco é diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Cônego Aníbal Difrância. Ela explica que, por meio do projeto “Hinos Pátrios”, as crianças estudam os representantes nacionais, como o Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Independência e o Hino da Proclamação da República: “Eles cantam ao menos uma vez na semana durante o hasteamento das bandeiras”.

 

A diretora explica que, mesmo não sendo um ato obrigatório como a execução do Hino Nacional, o Hino de Bauru é estudado e cantado pelas crianças: “É importante que os alunos conheçam a história da cidade e o hino faz parte dela. Explicamos, inclusive, o que casa estrofe significa. E eles gostam dessa prática”.

 

E por falar em história, graças a Lei nº. 358

promulgada  pela  Prefeitura Municipal, Bauru passou a ter oficialmente o seu próprio hino em julho de 1993, cerca de 4

anos após sua composição, quando uma comissão integrada pelos amigos e filhos de Oliveira esteve com o então prefeito Antônio Tidei de Lima. 

 

 

Autor

 

Manoel Domingos de Oliveira nasceu na Bahia em maio de 1876 e veio para São Paulo em 1921. Em 193

, o então empregado da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil chegou a Bauru, onde viveu por 37 anos. Oliveira, que teve quatro filhos naturais e um adotivo foi também farmacêutico prático. O compositor deixou várias composições musicais, a maior parte delas exalta a cidade de Bauru. 

 

Ele escreveu poesias, crônicas publicadas em jornais e revistas do Estado e se destacou ao tocar instrumentos musicais como o bandolim, a flauta e o violão, conhecimento que passou para seus filhos. Ele faleceu em Bauru, em março de 1968.

 

O aposentado Hermógenes de Oliveira é filho do compositor do Hino de Bauru. Ele lembra que o pai estava sempre ligado às artes e aos movimentos sociais da cidade. “Ele gostava de ajudar os mais pobres. Ensinou-me a ser músico, inclusive fui eu quem fez a partitura do hino municipal”. 

 

Avante, Noroeste! 

 

“Um hino de futebol é visto como um grito de guerra”, acredita o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina. Mais do que isso, ele aponta a importância das canções que exaltam um país, municípios, estados e até os clubes de futebol, como um elemento que une as pessoas.

 

E quem também acha fundamental conhecer e cantar o hino do seu time é o empresário e, com certeza, torcedor noroestino, Marcos José Kerche da Cunha, conhecido pela torcida como Marcão. “Esse tipo de canção deve estar na boca do torcedor, assim como é com a torcida Sangue Rubro, que sempre canta o hino noroestino antes do início e no fim das partidas.

 

“Nosso hino teve três versões até chegar a atual. Acho que os jovens hoje não dão muita atenção para as raízes de sua terra. Sendo assim, a letra já foi cantada nas versões samba e rock para atrair vários públicos”, conta o torcedor.

 

Marcos lembra que o pai fez de tudo para torná-lo um palmeirense, mas o amor veio mesmo pelo time da casa, sobre o qual ele conhece praticamente tudo: “As pessoas não entendem algumas coisas do nosso hino. Por exemplo, a parte que diz “Alça essa bandeira alvirrubra ao pé do coração”, significa que, quando o time está no sufoco, o jogador deve colocar o coração na ponta da chuteira, fazer aquele algo mais. Isso porque quando se fala em futebol, a gente pensa em pé, chuteira...Entendo que foi isso que o autor quis dizer”, explica.

 

A marchinha “Avante Noroeste” foi apresentada à torcida em outubro de 1979 em uma partida do time de Bauru contra o Corinthians. 

 

O compositor foi Miguel Ângelo Ruiz, um funcionário dos Correios apaixonado por música e autor de quase 2

canções entre tangos, machas, choros, valsas, hinos e composições para canto e orquestra. Ruiz teve cinco filhos e faleceu em 1981 aos 72 anos de idade.