08 de julho de 2026
Geral

Entrevista da Semana: Clóvis eduardo Neme Simão

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 8 min

Ele tem fé na retomada do Carnaval de Bauru e faz a sua parte recuperando o brilho e a alegria da folia de salão através do Carnaval da Hípica. “Quando falamos em Carnaval da Hípica todo mundo quer ir. Ampliamos o salão mas, mesmo assim, a quantidade de mesas não foi suficiente para quem quis ir”, comenta Clóvis Eduardo Neme Simão, atual presidente Sociedade Hípica de Bauru (SHB).  

 

Apesar de ser conhecido por muitos como um entusiasta do Carnaval, Clóvis não se considera um carnavalesco: “Na verdade eu já fui bem mais. Mas a festa está em nós. Lembro-me dos carnavais da minha juventude no Bauru Tênis Clube (BTC) e mesmo na Hípica”, recorda-se com bom humor.

 

Filho de família tradicional no ramo de automóveis, o entrevistado de hoje também se dedicou ao agropecuarismo na fazenda da família e à engenharia civil. Como engenheiro, entre muitas obras na construção civil, Clóvis participou do início da faculdade de engenharia da antiga Fundação Educacional de Bauru, onde também fundou um escritório técnico para dar assistência às cidades da região: “O Jurandir Bueno viajou muito comigo nessa época. Como engenheiro, tenho muitas obras espalhadas pela cidade que vão de agências de automóvel a prédios do Distrito Industrial”, ressalta.

 

Adepto da prática de esportes, atualmente ele caminha cerca de cinco quilômetros todas as manhãs ao lado de três amigos, onde garante saúde e piadas entre amigos.  

 

Clóvis tem quatro filhos, dois netos e uma porção de histórias para contar. Acompanhe a entrevista.

 

 

Jornal da Cidade – Como foi a sua chegada a Bauru?

Clóvis Eduardo Neme Simão – Meu pai, Jorge Simão, veio para Bauru em 1938, por causa do seu comércio no ramo de automóveis, já que Bauru oferecia mais oportunidades. Só que a explosão da Segunda Guerra Mundial o fez voltar para Pederneiras, porque as oportunidades de negócio diminuíram muito, principalmente a importação de carros. Foi quando eu nasci, em 1943. Depois, em 1946, ele voltou para não sair mais de Bauru.       

 

JC – Imagino que há muitos carros em suas lembranças de infância, certo?

Clóvis – Ah, não dava para ser diferente. Era carro e mais carro. Tudo era automóvel. Meu pai vendeu praticamente todas as marcas, inclusive de importados. Ele se estabeleceu na rua Rio Branco. Ele era meio duro e não me deu um carro quando completei 18 anos. Isso só foi acontecer quando eu terminei a faculdade de engenharia civil, em São Paulo. Foi uma espécie de recompensa (risos). E ele fez muito certo. Depois de formado, ganhei um Gordini na cor gelo.  

 

JC – Sua vida profissional girou em torno do comércio e da engenharia?

Clóvis – Fui para São Paulo em 1961 estudar no Mackenzie. Voltei para Bauru em 1966 e já comecei a trabalhar como engenheiro, além de continuar a ser um empresário no ramo de automóveis. Meu pai tinha fazendas, então eu também trabalhava como agropecuarista. Passava muito tempo na fazenda. Participei do 

início da faculdade de engenharia da antiga Fundação Educacional de Bauru, hoje parte da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Fiz parte do conselho, dei aulas...Também fundei um escritório técnico de engenharia para dar assistência para as cidades da região. O Jurandir Bueno viajou muito comigo nessa época. Como engenheiro, tenho muitas obras espalhadas pela cidade que vão desde agências de automóvel até prédios do Distrito Industrial, entre muitos outros.

 

 

JC – E o senhor tem lembranças marcantes da época de estudante?

Clóvis – Tenho algumas passagens interessantes. Quando eu fiz pós-graduação na Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), a gente ia e voltava no mesmo dia e, em uma dessas noites de volta, percebemos a cidade esquisita, a gente não podia passar pela Nações Unidas. Isso foi no dia em que a Avenida explodiu. A gente lá não sabia de nada, não existia a tecnologia como celulares, por exemplo. Foi um susto tremendo. Agora, quando estava em São Paulo, tive uma vida de universitário comum. Morei em república, aprontava muito, estudava bastante, nunca fui reprovado...   

 

 

JC – E como teve início a sua história com a Hípica?

Clóvis – Quando adolescente, nós moramos bem próximo ao Bauru Tênis Clube (BTC), e eu frequentava o lugar. Minha juventude em Bauru foi muito boa. Depois que voltei da faculdade, passei a frequentar também a Hípica. Lá havia um pessoal mais velho que jogava futebol. Muita gente conhecida jogou lá. Então me integrei a Hípica até ser presidente. Sou presidente há quatro anos, mas já estou na quinta gestão.  

 

 

JC - E o senhor era bom de bola (risos)?

Clóvis - Mais ou menos (risos). Nunca fui muito bom, mas sempre gostei de praticar um esporte ou outro. Agora, ou melhor, já há muitos anos, eu faço caminhada com amigos no período da manhã na Avenida Getúlio Vargas. Eu, meu irmão Nilson, o Ribeiro da Tanger e o Jair da Jalovi. São cinco quilômetros de piadas e muita diversão.       

 

 

JC – E qual é o segredo para manter um clube “vivo” quando muitos estão fechando as portas?

Clóvis – Hoje, os clubes estão realmente com problemas. Há seis anos reunimos um grupo para reerguer a Hípica. E hoje o clube está bem melhor, com tudo em dia, quase sem dívidas e aumentando cada vez mais o número de sócios. Mas, para isso, precisamos de parceiros. Os parceiros são muito importantes. Temos os Correios, por exemplo, que nos ajuda através da Associação Recreativa dos Funcionários dos Correios (Arco). Também temos a Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA), outra parceira. Então posso dizer que as parcerias são fundamentais para a saúde financeira e física dos clubes. 

 

JC – A hípica está realizando um trabalho de resgate do Carnaval de salão com o “Carnaval dos Carnavais”. Foi uma necessidade da própria população?

Clóvis – Sim. Já tivemos muitas outras promoções. Trouxe alguns artistas e vamos trazer outros mais. Reformamos totalmente o salão, reformamos as quadras, quiosques...E quando falamos em Carnaval da Hípica, todo mundo quer ir. Com a reforma do salão, aumentou a capacidade, mas mesmo assim a quantidade de mesas não foi suficiente para quem quis ir. Tivemos em nossos bailes cerca de 1.8

pessoas.

 

JC – O senhor acredita no ressurgimento do Carnaval de Bauru?

Clóvis – Eu acho que a cidade está resgatando o Carnaval, sim. Sinais disso são os próprios bailes de salão e, principalmente, os desfiles nas ruas. O Carnaval para toda a população é nas ruas mesmo, não tem jeito. Os salões não conseguem abrigar muita gente. 

 

JC – O senhor se considera um carnavalesco?

Clóvis – (Risos) As pessoas têm a impressão de que eu sou um carnavalesco. Mas na verdade eu já fui bem mais. Mas a festa está em nós. Lembro-me dos carnavais da minha juventude no BTC e mesmo na Hípica. Hoje eu vou, me divirto muito, mas não é a mesma coisa...Agora, nossos bailes na Hípica são muito bons. Temos concursos de fantasia, entre outras peculiaridades.

 

JC – A Hípica também abriga projetos sociais, certo?

Clóvis – A Hípica não é apenas um clube social, mas é um clube de projetos sociais. A ABDA realiza, semanalmente, um projeto na Hípica com cerca de 8

crianças que participam para aprender natação. Para isso, a piscina foi aquecida. Também temos futebol, através do Paulinho, com cerca de 3

crianças, inclusive já foram revelados talentos. A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru também realiza um trabalho junto a Hípica. É um projeto de equoterapia. Vale lembrar que todos os projetos atendem, gratuitamente, crianças carentes. Então, nós tiramos crianças das ruas e colocamos lá para fazer esporte. Isso graças a boa vontade de nossos sócios. Ajudar a quem precisa também faz parte de nosso clube.     

 

JC – O senhor se considera um homem crítico? 

Clóvis - Um pouco. Tem um caso, por exemplo, em que precisei “brigar”. Temos um poço artesiano na Hípica, então a água é nossa. O Departamento de Água e Esgoto  de Bauru (DAE) foi lá e colocou um hidrômetro na boca do poço. A água não pode ser cobrada, mas cobra-se o esgoto. Só que não é toda a água que sai dali que vai para o esgoto. Com muito custo conseguimos colocar o hidrômetro somente nos locais onde a água vai para o esgoto. Só que até hoje o DAE continua mandando a conta (risos).  

 

JC – Um momento difícil?

Clóvis – Todos temos vários momentos. Mas acho que posso destacar a vez em que sofri um grave acidente de automóvel, em 1964. Foi muito sério. Eu estava voltando de São Paulo, da faculdade, com dois amigos. A coisa foi tão feia que um deles precisou adiar o casamento.

 

JC – E porque o senhor atribui a “nota 1

” aos seus filhos e netos?

Clóvis – Aos filhos porque todos são ótimos e nunca me deram trabalho algum. Já os meus netos são netos, né! (risos). 

 

 

JC – O senhor tem algum novo projeto ou plano a ser realizado?

 

Clóvis – Meu projeto é ficar cada vez mais calmo (risos). Mas eu não parei com a engenharia, não. Ainda sou muito procurado e gosto de fazer projetos e construí-los. Também já viajei por praticamente todo o mundo, só não fui para o país de origem de meu pai, a Síria, por não ser um lugar muito calmo (risos).