08 de julho de 2026
Geral

Carnaval de todas as idades e nações

Por Vinícius Lousada | Com Redação
| Tempo de leitura: 4 min

O desfile em Bauru, ontem, foi prestigiado por um público animado, formado por pessoas dos mais diversos bairros da cidade, de todas as idades, incluindo até mesmo uma plateia internacional. Um grupo de oito dentistas vindos da República Dominicana, Equador e Peru chegaram cedo ao Sambódromo para acompanhar a evolução das escolas na passarela do samba. Todos são estudantes de especialização em odontologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Uningá.

 

“Chegamos em Bauru há poucos meses e viemos, hoje, para ver como é o Carnaval de vocês.

 

A gente sabe da tradição do Carnaval brasileiro e adora a festa”, conta Dayana Vargas, 24 anos, nascida na República Dominicana, onde a folia do Momo também acontece nesta época do ano.

 

Juntos

 

Apesar da animação, apenas a amiga dominicana Josmary Cari, 24 anos, arriscou alguns passos como sambista. “Mas, mesmo sem saber fazer direito, todo mundo dança. O que vale é a diversão”, comenta o dominicano Alberto Suriel, 25 anos.

 

Um outro grupo, só “um pouquinho” mais tradicional no Carnaval, era o da família do famoso mestre Landinho, o maior mestre de bateria da história da folia bauruense. Mais de 3

membros da família estavam juntos no Sambódromo para acompanhar a festa que se desenrolava na avenida.

 

“Isso tudo me faz lembrar muito o meu pai. É sempre uma emoção enorme participar do Carnaval”, destaca a filha, Deucinéia Regina Costa, 4

anos. A neta do mestre, Maitê, também estava na arquibancada, estreando no Carnaval, com apenas 1 ano de idade.

 

“Toda a família que está aqui hoje, muitos já casados, começaram a participar como a Maitê, ainda pequenininhos. Está no sangue”, revela a autônoma Aparecida Moraes, 52 anos, tia da pequena herdeira do samba. Os parentes vibraram muito durante o desfile de todas as escolas, mas, como não poderia deixar de ser, aguardavam ansiosos pela entrada da Acadêmicos da Cartola, a penúltima que passou pelo Sambódromo no primeiro dia de folia.

 

Assim como Maitê, a gerente de farmácia Cleonice Mendes, 59 anos, moradora do bairro Higienópolis, também acompanhou pela primeira vez a festa na avenida. Empolgadíssima, ela conseguiu, de improviso, aprender ao menos parte dos sambas-enredos para poder cantar junto.

 

“Nunca tinha vindo antes, porque sempre estava viajando. Desta vez, fiquei para descansar, mas desisti de ficar em casa. A raiz do cabelo não nega, sou de família que vem do samba e adoro toda esta animação. Adorei a experiência do Carnaval e, com certeza, voltarei mais vezes”, adianta.

 

 

Ouro Verde homenageia personalidades de Bauru 

 

Cheios de vida e empenhados em homenagear Bauru em todas as formas, o bloco Ouro Verde 1

% Arte entrou com tudo na avenida. 

 

Os mais de 13

integrantes emocionaram os bauruenses retratando carnavais antigos da cidade,personalidades como João Bidu e a história do município, que foi representado com destaque pelo carro “Maria Fumaça”, que exibiu uma bela locomotiva. 

 

 “A intenção foi mostrar o berço da cidade. Foi através da ferrovia que Bauru nasceu e se expandiu”, explicou Adriano Albino, rei da bateria.

 

Durante a dispersão do desfile do bloco, os integrantes festejaram a atuação avaliada como positiva. “Uma lágrima vale mais que mil palavras. Nosso desfile foi emocionante e ocorreu tudo dentro do previsto”, finalizaram Adriano e Silberto Cabral de Melo, presidente do Ouro Verde.

 

 

De aluno a professor 

 

Aos 16 anos de idade, ele começou como aluno de percussão do projeto Ouro Verde 1

% Arte. Oito anos depois, é um dos líderes de naipe da bateria do bloco. Com o surdo pronto para marcar o samba, Luiz Augusto Sampaio da Silva, 24 anos, conta sobre a alegria de estar no sambódromo. 

 

“Foi por conta do projeto, que eu descobri esse mundo incrível da música e dos ritmos afro. O desdobramento para bloco carnavelesco em 2

7 veio reforçar mais ainda este sentimento. E agora é muito poder retribuir passando adiante parte de tudo o que eu aprendi”, disse, instantes antes do início do desfile. 

 

Viver já é uma festa

Dentre os integrantes da Cartola, algumas histórias endossam o enredo da escola: a vida é mesmo uma festa, apesar de todas as adversidades. Prova disso é Roseli Meirele Marques, de 51 anos, que, há 18, desfila junto à agremiação. 

 

 Em 2

8, ela foi vítima de um acidente de motocicleta e perdeu um pé. No entanto, isso não foi motivo para afastá-la do samba. No ano passado, ela cruzou o sambódromo de Bauru em uma cadeira de rodas. Ontem, porém, ela estreou no carnaval com uma órtese, um dispositivo externo aplicado junto ao corpo. “Fiquei dois anos sem andar. Agora estou de volta. Posso até sambar”, comemorou. 

 

 Saindo no grupo de harmonia da Cartola, Roseli afirma que sua vida é uma festa, que ela faz renascer todos os dias. A guerreira diz que, para isso, conta ainda que conta com o apoio de sua família para enfrentar as dificuldades da vida. Portanto, não poderiam faltar no desfile o também cartolense José Osvaldo Marques, seu marido, conhecido como ‘Zé Macaco’, além de sua neta Ana Clara Meireles Marques, de apenas 9 anos. 

 

 Para a festa ser completa, a alegria não basta. Para não fazer feio no sambódromo, muito esforço é preciso. A bailarina Carolina Valderrama, por exemplo, conta que foram dois meses de árduos ensaios para a coreografia da comissão de frente, da qual fez parte.  “Vale muito a pena. Vamos levar a felicidade contida em todas as festas para o público”, comentou.