08 de julho de 2026
Articulistas

Os carnavais do passado

Marcia Regina Nava Sobreira
| Tempo de leitura: 3 min

Muitos bauruenses, principalmente os antigos moradores, ao se referirem ao Carnaval atual declaram: "Não se fazem mais carnavais como antigamente". A afirmativa leva a uma volta ao passado, numa recordação àqueles que viveram os carnavais anteriores e expectativa àqueles que não presenciaram. Em 1911, Bauru apresentava-se como progressista e atraente para muitas pessoas da cidade e de outros Estados. Foi neste ano que começou a organização dos primeiros bailes nos clubes e instituições, formação de blocos, carros alegóricos e o Carnaval de rua.

O primeiro desfile de rua realizou-se a 20 de fevereiro e contou com a participação dos clubes da cidade, particulares e teve a seguinte sequência: abrindo o desfile a Banda Musical seguida pela comissão de festejos; depois, o carro alegórico dedicado ao progresso de Bauru; em quarto lugar, a Escola de Honra trajado à Luiz XV; em quinto, o carro alegórico dedicado à indústria, comércio e lavoura; em sexto, a Escolta composta de cavalheiros; em sétimo, a Banda Musical do Bijou Theatre, conduzida num pomposo carro; e, por último, o carro do Zé Pereira, com a criançada e dirigido por Julio e Almerindo Cardarelli.

A participação da população nesta festa era maciça e com alegria contagiante, tanto nos bailes quanto nas ruas onde havia a mistura do povo com os carros alegóricos e os blocos, participando ativamente do desfile. Os melhores anos do Carnaval, em Bauru, foram das décadas de 1930 e 1940, com a formação de inúmeros blocos e carros alegóricos, além de execução de marchinhas que fazem sucesso até hoje. O corso passava pela Batista de Carvalho, Primeiro de Agosto e depois pela avenida Rodrigues Alves. A partir de 1936, passou a trafegar somente nesta última e, atualmente, temos o Sambodromo.

Geralmente, os blocos eram formados com um grupo só de homens ou de mulheres, sendo rara as vezes que havia a mistura dos sexos. As fantasias variavam muito, das mais simples às mais luxuosas de diversos gêneros: marinheiro, palhaço, romano, grego, árabe, caipira, cigano, soldado, preso, chinês, pierrô e outras. Os blocos costumavam se apresentar nos bailes e nas ruas com a maior animação, sem esquecer da foto de recordação, que podem ser encontradas nos álbuns de família.

Alguns destes ficaram muito
conhecidos, como o Bloco dos Índios Apaches, com a fantasia e montados a cavalo; Bloco do Alô Batuca, cujo carro simbolizava um grande couraçado; Bloco do Meio Dia, sob a chefia do Juca e Arnaldo Gonçalves; Bloco Bate Lata, comandado pelo Zé Guedes; Bloco Bate e não Enxuga dirigido por Joaquim Leandro de Almeida; Ala Esquerda, formado por um grupo de jovens do Grêmio Bauruense; Banda Infernal, da Vila de Aro; Bloco Jararaca comandado por Antônio Lopes, Flôr de Maio, Bola Preta, Cupido, Caracu, do Barulho, Panificadores, Vendedores de Obstáculos, Deixa Saudades, Tenentes da Marinha e outros.

Os temas dos blocos, carros alegóricos e marchas eram críticos e satíricos relacionados com os assuntos do momento histórico. As famílias se organizavam e formavam os blocos e os carros, todos com enfeites e lotados de foliões. A existência dos carros abertos era determinante, pois transformavam-se de carros de passeio para alegóricos. Destacavam-se muitos, como "As Chinesas", "As Alpinas", "Torpedo", "Mulatas", "Kimonos", "Mexicanos", "Zebras", "Cerveja Duquesa", "Cravo Roxo", "Hotel Fujica", "Papavento", "Rancho", "Bosque", "Ala Esquerda", "Meio Malandros" e outros mais.

Nem os colonos estrangeiros como italianos, espanhóis e japoneses, instalados em Bauru deixavam de se contagiar pelo Carnaval bauruense, participando com entusiasmo dos blocos e carros alegóricos. A colônia japonesa, em 1937, saiu às ruas com o carro "King", Carro-Rei, com trajes típicos e laternas orientais, a colônia espanhola fez sair o couraçado DREAG-NOUTH 21, comandado por Francisco Merino. As famílias Bombonato, Geron, Lins, Paniágua, dr. Abel Magalhães, Hildebrando Dias, Ignácio Gama, Gheraldini, Cussy Jr, Simonetti, Siqueira, José Alves Nunes, Lortari, Arthur Duarte, Abelha Paulucci Cardoso, Savastano, Vieira, dr. Miraglia, Bitencourt, a Casa Tayano e outros são exemplos de frequentadores assíduos dos bailes e do Carnaval de rua de Bauru.


A autora, Marcia Regina Nava Sobreira, é professora